Música "embala" vacas na hora da ordenha em exploração de São Miguel

Música "embala" vacas na hora da ordenha em exploração de São Miguel

 

Lusa/AOOnline   Regional   27 de Fev de 2017, 08:45

Na exploração leiteira de Carlos Pimentel, em São Miguel, todas as vacas têm nome próprio e há 12 anos que são ordenhadas mecanicamente ao som de música calma, uma opção com "bons resultados", disse o empresário.

 

“Usamos um processo de alguma música para tentar relaxar os animais, para poderem dar leite em condições”, afirmou à agência Lusa Carlos Pimentel, de 54 anos, que decidiu avançar com esta iniciativa após ter lido que a música poderia ser um relaxante para as vacas na hora da ordenha.

Esta exploração leiteira, localizada na Ponta Garça, concelho de Vila Franca do Campo, tem no bem-estar animal uma das principais preocupações.

Na hora da ordenha, processo realizado duas vezes por dia e com duração de cerca de uma hora, as vacas são chamadas uma a uma pelo nome próprio, num total de oito de cada vez.

Na sala, além dos equipamentos para retirar o leite, existe uma coluna na parede de onde se ouve a música, a mesma há 12 anos, de “três ou quatro CD”.

“Não sei se as minhas vacas são cultas ou não, o que sei é que elas se adaptam bem à música e é para manter”, garantiu o lavrador, que tem no escritório, contíguo à sala de ordenha, a aparelhagem musical.

Admitindo que a sua opção não é caso raro na ilha de São Miguel, Carlos Pimentel afirmou que a sua escolha musical para os animais recai sobre “música calma e ‘slows’, para criar bom ambiente”, com preferência para a música da Orquestra Ligeira de Vila Franca do Campo, município onde é vereador.

Mas na sala da ordenha ouvem-se também, “Hey Jude”, dos Beatles, ou “The Sound of Silence”, de Simon & Garfunkel, entre outros sucessos dos anos 60.

Segundo o empresário, que conjuntamente com a mulher e o filho tratam das 42 vacas todos os dias do ano, a exploração tem uma quota anual de produção de 430 mil litros de leite, o que equivale a 1.100/1.200 litros diários.

Após a ordenha, os animais voltam ao estábulo para comerem e repousarem. As vacas que produzem mais leite têm direito a um tratamento especial ao nível da alimentação, referiu.

Maria, Raquel, Mariana ou Antónia são alguns dos nomes das vacas de Carlos Pimentel que, assegurou, nunca se enganar na hora de as chamar, pois “qualquer lavrador que se preze conhece os seus animais”.

“Várias vezes são crianças de escolas, que visitam a exploração leiteira, que pedem para o animal ter este ou aquele nome”, declarou, assinalando, contudo, que cabe prioritariamente à família escolher.

Carlos Pimentel, que durante 27 anos foi empreiteiro da construção civil, decidiu mudar de vida há 12 anos “por opção”, justificando que sempre gostou da terra e só assim se consegue aguentar este trabalho, pois “a agropecuária é muito exigente”.

Fonte da Secretaria da Agricultura e Florestas dos Açores adiantou à agência Lusa que a 31 de dezembro de 2016 existia no arquipélago um efetivo bovino de cerca de 273 mil vacas.

 


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