Moda do bolo lêvedo das Furnas aumenta vendas nos Açores

Moda do bolo lêvedo das Furnas aumenta vendas nos Açores

 

Lusa/AO Online   Regional   6 de Abr de 2014, 14:14

A venda de bolo lêvedo nos Açores tem vindo a aumentar por causa do turismo, da distribuição em superfícies comerciais e da nova "moda" de, em pastelarias e restaurantes, ser consumido em pizas, sandes ou hambúrgueres.

A história do bolo lêvedo está ligada às Furnas, na ilha de São Miguel, onde estão as suas duas maiores produtoras, que dizem ter cada vez mais procura. "Por semana, no mês de agosto, vendemos cerca de 10 mil bolos lêvedos, enquanto na época baixa chegamos aos 1.500", diz a empresária Maria Glória Moniz, uma das principais produtoras do bolo lêvedo, cuja padaria "snack-bar", no centro da freguesia das Furnas, completa em julho 25 anos. O bolo lêvedo, de formato redondo, é produzido com farinha, ovos, açúcar, manteiga, leite, fermento e sal. Antes de começar a ser comercializado, era produzido em fornos convencionais nas habitações particulares, tendo sido depois criadas as padarias, que hoje prevalecem. Maria Glória Moniz refere que se tem vindo a registar "grande adesão" ao bolo lêvedo, também porque hoje, na ilha de São Miguel, é igualmente vendido em outros formatos, em pizas, hambúrgueres, pregos ou sandes, fazendo parte da oferta de restaurantes e pastelarias. Nenhum dos produtores contactados pela Lusa conhece com rigor a origem do bolo lêvedo, mas todos são unânimes em considerar que ganhou dimensão comercial com o surgimento do hotel Terra Nostra, nos anos 30 do século XX. O hotel das Furnas serve o bolo lêvedo aos clientes ao pequeno-almoço, sendo fornecido pela padaria de Maria Glória Moniz há cerca de 20 anos. Glória Moniz refere que herdou a receita de Maria do Carmo, da família de apelido Panelas, fornecendo-o a superfícies comercias de toda a ilha de São Miguel, para além de o vender localmente. Por causa do bom crescimento do negócio, Glória Moniz quer mesmo construir uma fábrica de bolo lêvedo nas Furnas, tendo comprado um terreno "com vista para as caldeiras" com esse objetivo. Rosa Quental, uma das outras grandes produtoras do bolo lêvedo das Furnas, recorda-se de ser produzido no concelho de Nordeste, mas com a farinha mais grossa, que não era usada na confeção do pão e massa sovada (pão doce). "Quando fui para as Furnas, com 12 anos, as pessoas já faziam uns bolos lêvedos muito saborosos e, quando abriu o hotel Terra Nostra, havia uma senhora que os fornecia para o pequeno-almoço", recorda. Rosa Quental afirma ter sido a primeira pessoa a comercializar bolos lêvedos, vendendo-os, numa primeira fase, numa taberna que o marido possuía nas Furnas. "Depois de abrir a minha padaria, comecei a receber encomendas e o meu filho, que agora está à frente do negócio, ainda esta semana enviou uma porção de bolos para o continente [cerca de 500 bolos lêvedos, uma vez por semana]", declara. A padaria de Rosa Quental vende cerca de 1.500 bolos lêvedos semanalmente, aumentando este número na época alta, quando milhares de turistas visitam o vale das Furnas. A moda do bolo lêvedo tem alastrado pela ilha de São Miguel, com restaurantes e outros estabelecimentos a oferecerem pratos e refeições que integram o bolo lêvedo, que antes era só consumido como um pão.

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