Ministro pede a universidades seniores para reforçarem ação junto dos mais idosos

Ministro pede a universidades seniores para reforçarem ação junto dos mais idosos

 

Lusa/AO online   Nacional   14 de Abr de 2016, 12:25

O ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social pediu hoje às universidades seniores para que reforcem as ações na faixa etária acima dos 70 anos e na "fase crítica" de transição da vida ativa para a reforma.

 

Vieira da Silva presidiu hoje à abertura do Congresso “Inovação Social e Envelhecimento”, promovido pela Rede das Universidades da Terceira Idade (RUTIS) no cineteatro de Almeirim (cidade onde se situa a sua sede), numa sessão em que foi assinado um protocolo entre a instituição e o Ministério, que atualiza o que está em vigor desde 2007.

Sublinhando o caráter “flexível, ligeiro e muito independente” das UTIS (Universidades da Terceira Idade), fatores que considerou estarem na base do sucesso destas organizações, o ministro afirmou que o protocolo hoje assinado vem reforçar a “cooperação e complementaridade” com as políticas públicas.

Vieira da Silva deixou dois apelos à RUTIS e às cerca de 270 UTIS existentes em todo o país, o de que a “forte presença” junto dos beneficiários “mais jovens” (na faixa entre os 55 e os 65 anos) se prolongue “para ultrapassar o afastamento” que se sente a partir dos 70 anos e de que haja um reforço do seu papel “na fase crítica da transição da vida ativa para uma vida, potencialmente, menos ativa”.

Para o ministro, a entrada na reforma é uma fase crítica do ponto de vista individual, mas também para a sociedade, “porque demasiadas vezes corresponde ao desaparecimento de saberes” que “poderá ser evitado pela intervenção deste tipo de instituições”.

O presidente da RUTIS, Luís Jacob, disse à Lusa que o protocolo hoje assinado veio atualizar um documento feito quando existiam no país apenas 30 UTIS, tornando agora “mais claras”, e com prazos, as regras de financiamento, sendo que o apoio, da ordem dos 70.000 euros anuais, se destina à capacitação de dirigentes, técnicos e professores voluntários (cerca de 5.000).

Para Luís Jacob, é agora fundamental que seja concluído o processo de enquadramento jurídico destas instituições, que disse estar “bem encaminhado”, tanto nos contactos com o Ministério como com os grupos parlamentares, esperando que essa legislação possa ser apresentada a 21 de maio, no dia nacional das universidades seniores, que se assinalará em Penela.

Em causa está, nomeadamente, a garantia de que estas instituições só podem ser criadas por associação sem fins lucrativos ou pelo Estado (como câmaras municipais), que os professores são maioritariamente voluntários e os alunos devem ter um seguro, disse.

No congresso que hoje se realiza em Almeirim estão a ser apresentados alguns exemplos de “inovação social” introduzidos pelas UTIS para “enfrentar novos desafios para lidar com o envelhecimento”.

“As respostas olham muito para os idosos dependentes, mas estes são apenas 15% da população idosa. A maior parte dos projetos esquece os que são autónomos, que precisam de atividades, não tanto na área da saúde, mas para desenvolverem as suas capacidades e saberes”, disse.

Um dos projetos que é hoje apresentado é o da aplicação que diariamente “dá dicas de como cuidar da horta ou do jardim em casa” e que vai dando formação, uma ideia que nasceu no norte do país e que ganhou dimensão nacional devido ao “grande impacto” que teve, afirmou.

Outro projeto está a ser desenvolvido na Escola Superior Agrária de Coimbra pela Associação Nacional de Animadores Socioculturais e promove um espaço de livre convívio entre crianças e seniores.

O congresso inclui ainda um debate sobre “cidadania e envelhecimento” com o ex-ministro Pedro Mota Soares e o ex-candidato à Presidência da República Paulo Morais.


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