Ministro da Agricultura defende "suspensão temporária" dos embargos europeu e russo

Ministro da Agricultura defende "suspensão temporária" dos embargos europeu e russo

 

Lusa/AO online   Regional   18 de Fev de 2016, 16:28

O ministro da Agricultura, Capoulas Santos, defendeu, em Ponta Delgada, ser desejável uma "suspensão temporária" dos embargos da Rússia à Europa e o contrário, assim como a abertura de novos mercados para o escoamento dos produtos agrícolas.

 

"Penso que era desejável sem que, naturalmente, a Europa venha a trocar valores por atividade económica [...], estabelecer uma trégua, isto é, uma suspensão temporária do embargo que permitisse à Rússia e à Ucrânia, em clima de maior serenidade, encontrarem soluções constitucionais para os problemas que os afetam", afirmou Capoulas Santos.

O governante falava aos jornalistas após uma reunião com o secretário regional da Agricultura e Ambiente, Luís Neto Viveiros, para analisar o setor agropecuário e agrícola dos Açores.

O ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural reconheceu que o problema que se vive no setor do leite "preocupa seriamente", considerando ser uma "situação insustentável e para a qual tem de ser encontrada uma solução".

"Existe um grande desequilíbrio no mercado entre a oferta e a procura, fruto de um conjunto de circunstâncias, muitas delas são totalmente exteriores ao nosso país e até à União Europeia", assinalou, considerando a necessidade de o país manter intacto o aparelho produtivo do leite.

Os Açores, com 2,5% do território nacional, produzem cerca de 30% do leite do país e 50% do queijo. Metade da economia açoriana assenta na agropecuária e, dentro dela, o leite pesa mais de 70%.

Segundo Capoulas Santos, Portugal, "fruto da modernização nos Açores, sobretudo, mas também no continente, que se operou neste setor", tem pouco mais de cinco mil produtores, "que são empresas bem apetrechadas, para as quais os agricultores investiram muito", pelo que é um aparelho que não se pode "deixar que seja destruído".

"Mas a situação é difícil, porque há um conjunto de fatores externos que a determinam, entre elas o embargo russo", um assunto que está "muito acima dos ministros da Agricultura" da União Europeia, notou.

Capoulas Santos adiantou que esta situação determinou uma sua deslocação a Moscovo há cerca de duas semanas, na qual foi recebido pelo Governo russo, tendo manifestado "a boa vontade de Portugal em contribuir para encontrar uma solução".

"É um outro patamar de decisão política, mas é por aí que passam também os problemas", observou o ministro, defendendo, por outro lado, a necessidade de abrir novos mercados.

Para Capoulas Santos, há que "encontrar fluxos de escoamento dos excedentes europeus", referindo não ser necessário que sejam os Açores a exportar diretamente, mas se "outros países que estão neste momento a inundar o mercado europeu o fizerem, abrirão espaço para que os preços possam subir".

O ministro anunciou ainda ter convidado o secretário regional da Agricultura e Ambiente a estar presente no próximo Conselho Europeu de Ministros da Agricultura, agendado para março, em Bruxelas, onde vai ser debatido o setor do leite.


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