Manifesto pede redução de iluminação pública nos Açores durante a campanha SOS Cagarro

Manifesto pede redução de iluminação pública nos Açores durante a campanha SOS Cagarro

 

Lusa/AO Online   Regional   20 de Out de 2014, 11:29

Um manifesto, entregue ao Governo açoriano, apela a "um compromisso" das entidades públicas para a redução da iluminação pública durante as duas semanas da Campanha SOS Cagarro, nos Açores, alertando para o impacto das luzes naquelas aves.

 

“A campanha SOS Cagarro é bastante válida, mas um dos pontos que leva à queda de cagarros juvenis na via pública é a iluminação e enquanto não se resolver o problema, nomeadamente nos campos de futebol e portos de pesca, que têm iluminações muito fortes, a campanha tem um ar um bocado dúbio”, afirmou José Pedro Medeiros, da Associação Ecológica Amigos do Calhau, em declarações à Lusa.

A campanha SOS Cagarro deste ano, promovida pelo Governo dos Açores, arrancou a 15 de outubro e prolonga-se até 15 de novembro, em todas as ilhas do arquipélago, que anualmente acolhe perto de 200 mil casais desta ave marinha (75% da população mundial da espécie).

Além da Associação Amigos do Calhau, o manifesto "Em Defesa do Cagarro" é subscrito pela Associação Ecológica Amigos dos Açores e pelo CAES – Coletivo Açoriano de Ecologia Social.

O manifesto alerta para que metade das quedas de aves "tem por causa a exagerada iluminação pública de infraestruturas como portos de pesca, campos de futebol e estradas situadas junto ao litoral", considerando que a Campanha SOS Cagarro e todo o trabalho dos voluntários "muitas vezes não passa de um logro, limitando-se na realidade a recolher as aves que previamente são obrigadas a cair em terra devido à excessiva iluminação".

"Como consequência das quedas, muitas das aves, perto de um milhar no passado ano, ficam feridas ou morrem", aponta ainda o manifesto, enviado no domingo, por e-mail, ao Governo Regional, ao presidente do executivo açoriano e aos diversos Parques de Ilha.

“O manifesto é uma forma de fazer alguma pressão perante as entidades governamentais para que cada vez se reduza mais a iluminação”, frisou José Pedro Medeiros, lembrando que nas Canárias, em Espanha, durante a campanha "é feito um apagão".

Os subscritores pretendem também "a declaração do cagarro (Calonectris diomedea borealis) como Ave Regional, de especial interesse e proteção na Região Autónoma dos Açores" e a criação do “Telefone do Cagarro”, gratuito para todas as ilhas e a funcionar durante as 24 horas durante as semanas da campanha.

A construção de um Centro de Recuperação de Fauna (CRF) "nas principais ilhas, com capacidade para acolher e tratar todos os cagarros feridos", é outra das pretensões dos signatários, que dizem que existem "situações caricatas como o transporte dum milhafre ferido da Terceira até ao Corvo, ilha onde nem sequer existem milhafres, por existirem ali umas pequenas instalações para a recuperação de aves".

O manifesto defende ainda "a divulgação pública e a análise dos resultados da Campanha SOS Cagarro", permitindo "detetar em todas as ilhas os pontos negros onde é registada em cada ano uma maior quantidade de quedas de aves" e "uma maior mortalidade" para "melhores estratégias" para próximas campanhas.

 


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