Líder do PSD/Açores compara novas ligações aéreas nas ilhas à queda do muro de Berlim

Líder do PSD/Açores compara novas ligações aéreas nas ilhas à queda do muro de Berlim

 

LUSA/AOnline   Regional   24 de Jan de 2015, 10:29

O presidente do PSD/Açores disse hoje que a liberalização de ligações aéreas entre o arquipélago e o continente "é como se fosse a queda do muro de Berlim" para os transportes e a economia da região.

"O efeito, relevadas as respetivas dimensões, é um pouco o que se passou com a queda do muro de Berlim na Europa. Neste aspeto, na economia e, especialmente, nos transportes dos Açores vai tudo mudar", afirmou Duarte Freitas.

O líder do PSD/Açores falava em Ponta Delgada, na abertura do debate "novas obrigações de serviço público - impacto e oportunidades", promovido pelo partido, onde afirmou que os efeitos da liberalização do espaço aéreo na região, a partir de abril, também se vão sentir nas ligações dentro do arquipélago, com "a descida a curto prazo das tarifas dentro dos Açores".

"Vai obrigar a que dentro dos Açores as tarifas desçam substancialmente, porque não é admissível que exista qualquer tarifa dentro dos Açores de valor superior àquilo que são as tarifas dos Açores para o exterior", afirmou.

Duarte Freitas vê a entrada das companhias aéreas 'low cost' nos Açores como um desafio para a SATA, a transportadora açoriana, mas também para os empresários locais, que devem "deixar de procurar no Governo uma mão".

"Sabemos bem que, muitas vezes, quando o Governo [Regional dos Açores] se mete nos processos é para condicionar e não para apoiar. Os nossos empresários cada vez mais têm de agarrar os negócios com as suas mãos, mais do que estar à espera de apoios públicos, que eles têm de existir para a nossa região, naturalmente, mas temos de ter cada vez mais economia, cada vez mais sociedade para ficarmos cada vez menos dependentes dos dinheiros públicos", alertou.

O diretor comercial da easyJet, José Dias, presente no debate, disse que a liberalização das ligações entre a ilha de São Miguel e o continente já teve um "impacto imediato" nos Açores porque "as outras duas companhias que antes operavam em oligopólio" (SATA e TAP) conseguiram reduções nas tarifas que oscilam entre os 50 e os 90 por cento.

"As tarifas mais comuns rondam os 500 euros que, normalmente, é do que me queixo quando venho aos Açores. Isso penalizou ao longo de todos estes anos, severamente, este mercado e a economia açoriana porque impediu que muitas pessoas pudessem cá vir conhecer estas ilhas e gastar dinheiro aqui", sublinhou.

Para Luís Fernandez-Mellado, diretor de desenvolvimento de rotas da Ryanair, "as tarifas baixas não fazem milagres por si só" é preciso que exista uma estratégia definida na região para que a vinda das 'low cost' tenham impacto turístico.

"É possível que nos próximos meses se possa incrementar de maneira importante o número de visitantes mas é importante que se entenda que é preciso um plano a largo prazo. A Ryanair tem um plano de crescimento na Europa a longo prazo e logicamente que as expetativas são que o setor turístico local será capaz de aproveitar esta oportunidade que se apresenta", disse Luís Fernandez-Mellado.

Luís Rego, administrador do Grupo Ilha Verde, em representação dos empresários de São Miguel, deixou, por sua vez, um desafio às entidades com competência na área para elaborarem com urgência um "plano estratégico de desenvolvimento turístico para os Açores de acordo com o novo modelo de transporte aéreo", para orientar o caminho a seguir pelos empresários.

"Preocupa-me a nossa capacidade de resposta imediata na época alta, que já tem vindo a atingir ocupações quase plenas, podendo pôr em risco algumas operações fidelizadas no nosso destino, situação esta que pode ser minimizada com a abertura de novas unidades hoteleiras já anunciadas", afirmou o empresário.

O debate contou com a presença de cerca de 150 pessoas, entre elas, os deputados do BE e do PPM no parlamento dos Açores, Zuraida Soares e Paulo Estêvão.


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