Investigador defende estudo para conhecer recursos marinhos

Investigador defende estudo para conhecer recursos marinhos

 

Lusa/AO online   Regional   8 de Jun de 2015, 18:55

Os Açores não conhecem a biodiversidade marinha existente nas suas águas, afirma o investigador do Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores João Gonçalves, que diz ser necessário fazer um estudo que revele a dimensão desses recursos.

 

"Em termos de biodiversidade marinha, tirando os vertebrados, ou seja, peixes, aves, cetáceos e tartarugas, pouco mais se conhece", disse hoje o biólogo à Lusa, no Dia Mundial dos Oceanos.

João Gonçalves afirmou que a maior parte dos outros recursos nas águas açorianas foram apenas alvo de estudos parciais, sendo que, ao nível dos invertebrados, conhece-se pouco, daí que defenda a realização de um estudo que permita apurar a dimensão dos recursos existentes nas águas dos Açores.

A par dos peixes, o biólogo do Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP) aponta o surgimento de novos recursos com um "potencial muito grande", como os minérios.

Com base num estudo desta dimensão, João Gonçalves, que iniciou funções de investigação e docência no DOP em 1989, pensa que seria possível procurar espécies de pesca alternativas, uma vez que o esforço de pesca aumentou substancialmente nos Açores.

"Penso que nos últimos anos, provavelmente, aumentou-se muito o esforço de pesca em termos de navios e número de anzóis na água. Apesar da pescaria dos Açores ser uma arte de pesca das melhores, comparando com a pesca de arrasto", declarou.

O investigador aponta que se houver muita gente a depender deste recurso, "que por si é fraco", isso leva à sobre-exploração, exemplificando com a redução da quota do goraz imposta por parte da União Europeia.

João Gonçalves, que colaborou na elaboração da legislação que regulamenta a observação de cetáceos nos Açores, aconselha a procura de recursos alternativos que não estejam tão sujeitos a esta exploração.

No Dia Mundial dos Oceanos, João Gonçalves para além da sobre-exploração das espécies, refere o problema crescente da poluição dos mares a nível dos resíduos sólidos, sobretudo plásticos.

No que concerne às alterações climáticas e o seu impacto, considera que os Açores não serão "das piores situações", uma vez que o oceano tem um "efeito mutuador", não deixando que as variações extremas ocorram com frequência.

"Nesse aspeto, estamos um pouco protegidos. As zonas continentais, grandes continentes ou mais afastadas da costa têm efeitos climáticos extremos. É evidente que sempre vai haver algumas alterações, mas estamos relativamente protegidos", declarou.


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