Investigação a acidente no Pico desconhece se recomendações são cumpridas

Investigação a acidente no Pico desconhece se recomendações são cumpridas

 

Lusa/AO Online   Regional   9 de Out de 2015, 18:40

O responsável pelo gabinete que investiga os acidentes marítimos afirmou hoje desconhecer se as recomendações feitas na sequência de um acidente mortal no porto de S. Roque do Pico em 2014 estão a ser implementadas.

 

“Tenho obrigação de acompanhar a implementação das recomendações feitas no relatório, mas não temos recursos humanos e financeiros para o efeito. Não faço esse trabalho de acompanhamento com a segurança que gostaria de fazer”, afirmou Fernando Alves, admitindo que só assume que estão a ser cumpridas as normas.

Fernando Alves foi ouvido hoje à tarde na comissão de inquérito do parlamento açoriano ao transporte marítimo de passageiros e infraestruturas portuárias, que decorre em Ponta Delgada para avaliar os investimentos nos portos do Faial, Pico e S. Jorge, a compra de barcos novos para o transporte de passageiros entre estas ilhas e as responsabilidades políticas relacionadas com dois acidentes ocorridos em 2014 em portos do Pico, num dos quais morreu uma pessoa.

O relatório de investigação do Gabinete de Prevenção e de Investigação de Acidentes Marítimos (GPIAM) ao acidente mortal ocorrido em novembro de 2014 num barco da Transmaçor concluiu que houve falta de manutenção dos cabeços de amarração do porto e formulou um conjunto de recomendações à Transmaçor e à empresa pública Portos dos Açores, nomeadamente a verificação de todos os cabeços.

O relatório refere que a "causa direta" da quebra do cabeço foi um "esforço pontual e significativo da tração dos cabos do navio sobre o cabeço", devido a uma "solicitação brusca induzida ao navio pela ondulação que se fazia sentir ao longo do cais".

O Fernando Alves reiterou que “foi a própria Portos dos Açores que afirmou que não fazia manutenção sistemática e regular aos cabeços” e que, segundo a “observação visual” feita, “os cabeços estavam em muito mau estado”, existindo “sinais de ferrugem e moças”.

“Tem de haver fiscalização periódica e uma reparação qualquer. Num carro de x em x quilómetros muda-se o óleo para o manter a funcionar corretamente. Para os cabeços isso também tem de se aplicar”, sustentou o engenheiro de armamento, reconhecendo, porém, que desconhece como se faz essa manutenção dos cabeços.

O "posicionamento incorreto" dos cabeços, a exposição à ondulação dos navios no cais de S. Roque, a utilização pelo barco "Gilberto Mariano" de cabos exageradamente sobredimensionados e a "metodologia" que tem de ser adotada pelos navios ferry para atracar à rampa 'ro-ro' são outros dos fatores apontados no relatório do GPIAM e que terão contribuído para o acidente mortal.

Segundo disse o responsável pelo GPIAM, o investigador do relatório identificou seis fatores contributivos para o acidente, “mas pode haver mais”, sendo que a metodologia de trabalho usada obriga a fazer recomendações e não a responsabilizar ninguém.

“O objetivo de nosso trabalho não é responsabilizar ninguém. Posso trabalhar por exclusão de partes. A fratura estava lá e era visível. Se (o cabeço que rebentou) tinha pré fratura só um laboratório específico o poderá dizer” disse Fernando Alves, acrescentando que a Transmaçor e a Portos dos Açores receberam o relatório de investigação antes da publicação, para efeitos de contraditório.

O engenheiro de armamento adiantou que o cabeço que originou a morte de uma pessoa foi o quinto a rebentar nos portos das ilhas do Pico e Faial num mesmo período, “o que não é muito normal”, pelo que deveria ter motivado uma fiscalização.


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