Guia do património subaquático para atrair mais visitantes

Guia do património subaquático para atrair mais visitantes

 

Lusa/Açoriano Oriental   Regional   13 de Mar de 2017, 15:33

O Guia do Património Cultural Subaquático dos Açores, que vai ser apresentado na quarta-feira na Bolsa de Turismo de Lisboa, quer ser um "imenso convite" à visitação de um passado que atesta a importância geoestratégica da região.

 

"É um imenso convite aos interessados, que são um nicho de mercado normalmente rico e que estava habituado a ir para o Médio Oriente e outros sítios onde hoje há alguma dificuldade devido à instabilidade política", afirmou à agência Lusa o diretor regional da Cultura dos Açores, Nuno Lopes, destacando que os navios naufragados no mar dos Açores são "testemunhas silenciosas de variados momentos históricos".

O guia, com cerca de 140 páginas de texto e fotografias, resulta de um trabalho de vários anos de investigação no arquipélago, e apresenta as coordenadas geográficas por ilha de vários naufrágios e a respetiva caracterização histórica.

Nuno Lopes adiantou que atualmente existem na região 30 sítios visitáveis, dos quais 25 são naufrágios e cinco são parques arqueológicos, porque reúnem mais do que um naufrágio.

Segundo o responsável, o primeiro parque arqueológico dos Açores foi criado em 2005 e renovado em 2015 na baía de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, onde repousa uma centena de navios que cruzaram o Atlântico.

Existem, ainda, os parques subaquáticos "Dori" (2012), próximo da cidade de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, "Caroline" (2014), na ilha do Pico, "Slavonia" (2015), na ilha das Flores, e "Canarias" (2015), em Santa Maria.

"Estamos a falar de naufrágios, de vestígios, de testemunhos de travessias, de outras comunidades e culturas", salientou o diretor regional da Cultura, explicando que o guia é, também, "um documento de consulta interessante mesmo para quem não pretenda mergulhar".

A publicação, que resulta da colaboração entre a Associação de Turismo dos Açores e a Direção Regional da Cultura, tem prevista ainda este ano uma versão em Inglês.

"Essa visibilidade contribui também para potenciar o turismo e o conhecimento da própria população sobre este património que nos Açores é riquíssimo e demonstra a importância geoestratégica da região desde sempre", assegurou Nuno Lopes, considerando que o interesse pelo turismo de mergulho na região está a crescer, "não só para mergulhar com baleias, tubarões ou jamantas, mas também para explorar os naufrágios".

De acordo com o Guia do Património Cultural Subaquático dos Açores, desde o século XVI que são conhecidos naufrágios no mar da região, sendo que um dos últimos ocorreu em 2003 com o batelão português "Pontão 16", na praia do Almoxarife, na ilha do Faial.

Tempestades, deficientes construções, batalhas navais ou erros humanos são as principais causas apontadas para os naufrágios de navios, com funções militares, comerciais ou de exploração de novas terras, e que eram oriundos, principalmente, de Inglaterra, Espanha, França, Grécia e Brasil.


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