Governo Regional e sindicato mantêm divergência sobre dívida a enfermeiros

O Governo Regional dos Açores e o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, que se reuniram esta quarta-feira, mantêm uma divergência em relação a uma dívida de 4,5 milhões de euros, relativa ao período entre 2008 e 2013.



"Temos o mesmo parecer do Provedor de Justiça sobre o assunto, mas temos uma leitura diferente. A nossa leitura é que a partir do dia 1 de janeiro deste ano, acabaram-se os constrangimentos legais no sentido de impedir que o Governo pague a dívida", disse Francisco Branco, presidente da direção regional dos Açores do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses.

O sindicalista falava, em declarações aos jornalistas, em Angra do Heroísmo, à margem de uma reunião com o secretário regional da Saúde, Rui Luís.

Segundo Francisco Branco, o antigo presidente do Governo Regional Carlos César (PS) comprometeu-se "voluntariamente" a repor o tempo de serviço de 2004 a 2008 aos funcionários públicos, o que pelas contas do sindicato faria com que os enfermeiros recebessem mais um total de 4,5 milhões de euros.

"Os funcionários públicos das carreiras do regime geral têm a situação resolvida e esse tempo foi considerado e incorporado na carreira. Com os enfermeiros, o tempo foi incorporado na carreira mais tarde e com a dívida por pagar", apontou.

Rui Luís salientou, no entanto, que o "o Governo Regional não reconhece que exista essa dívida".

"Consideramos que no período em causa (2008-2013), pelas restrições do Orçamento do Estado, não havia valorização a fazer, ou seja, há a contagem do tempo - e essa a partir de 01 de janeiro de 2018 efetivamente será aplicada a todos os funcionários da administração pública - agora não há dívida", salientou.

O sindicato comprometeu-se a fundamentar por escrito os motivos pelos quais entende que o parecer da Provedoria de Justiça lhe da razão.

"Vamos continuar a reclamar aquilo a que achamos que temos direito", frisou Francisco Branco, acrescentando que não houve o desenvolvimento que esperavam nesta reunião.

O secretário regional da Saúde vai voltar a reunir-se com o sindicalista na próxima semana para retomar as negociações para que o horário laboral dos enfermeiros dos hospitais com contrato individual de trabalho passe de 40 para 35 horas semanais.

"O que o Governo nos transmitiu é que vamos caminhar no sentido de um acordo a curto prazo", adiantou Francisco Branco.

Segundo Rui Luís, as negociações iniciaram-se no ano passado, mas a proposta do sindicato não contemplava a criação de um banco de horas e o Governo Regional entende que se o objetivo é haver igualdade entre funcionários com contrato individual de trabalho e em funções públicas, os primeiros têm de ter banco de horas, à semelhança dos segundos.


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Greve geral

O Governo Regional dos Açores esclareceu que “não fixou quaisquer serviços mínimos” no dia da greve geral, ao contrário do que foi referido pela Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (FNSTFPS)