21 de dezembro

"Fim do Mundo" ou Dia Mundial do humor negro?

"Fim do Mundo" ou Dia Mundial do humor negro?

 

António Caeiro, da agência Lusa   Internacional   17 de Dez de 2012, 08:48

Um líder budista chinês sugeriu que o 21 de dezembro, data do fim do mundo supostamente previsto pelo antigo calendário maia, seja nomeado "Dia Mundial do Humor", em homenagem ao "humor negro" daquela civilização pré-colombiana.

O ‘Fim do Mundo' é apenas uma piada que os maias nos deixaram. Eles tinham um bom humor negro e esse humor assustou muita gente", disse o mestre Yancan, abade do templo de Shuiyue, na província de Hebei, centro da China, e vice-presidente da Associação Budista provincial.

Numa entrevista publicada hoje no jornal oficial China Daily, mestre Yancan realça também que "o conceito de ‘fim do mundo' não existe no budismo".

"O ‘fim do mundo' é a coisa mais horrível que posso imaginar. Quando o dia 21 de dezembro chegar, as pessoas compreenderão melhor que o mundo continua e que há muitas coisas belas para celebrar", acrescentou.

Mas nem todos os chineses pensam assim.

Dezenas de pessoas foram detidas no passado fim de semana em três províncias da China por "espalharem boatos" acerca do "eminente fim do mundo".

Na província de Qinghai, noroeste dos pais, a polícia deteve 37 pessoas ligadas a uma seita religiosa chamada Deus Todo Poderoso, que distribuiu mensagens anunciando "grandes tsunamis e terramotos", disse hoje o jornal Global Times.

Em Chongqing, a polícia deteve quatro pessoas pelo mesmo motivo e em Wuhan, centro da China, registaram-se também algumas detenções, adiantou aquele jornal.

Um responsável de uma moderna empresa de Chengdu, sudoeste da China, contou que decidiu dar folga aos empregados na próxima sexta-feira porque "alguns estão assustados com o ‘fim do mundo'".

"É melhor que eles fiquem em casa com as pessoas de quem mais gostam do que tê-los no escritório com o espírito fora do trabalho", disse Deng Xiangyun, diretor-geral da Chengdu Higgses Internet and Tecnology Co.

Assumindo-se como "materialista", Deng Xiangyun diz que não segue "qualquer religião" e, por isso, não acredita no ‘dia do Juízo Final'.

Um autor de ficção científica ouvido pelo China Daily, Liu Cixin, considera que "o sistema humano na Terra é tão instável como um remoinho num rio" e "como tudo mais, a terra também acabará", mas - acrescenta - isso não acontecerá na data prevista pelos maias".

O astrólogo Liu Hongchen, que tem mais de 210.000 seguidores no Sina Weibo, o twitter chinês, contesta que os maias tenham afirmado que o mundo acabará no dia 21 de dezembro de 2012: "O que eles gravaram numa pedra foi que aquele dia iria assinalar um novo ciclo para a humanidade".

A origem do calendário maia remonta ao século VI A.C.

"Em 2012 registaram-se posições astrológicas que só acontecem uma vez em cem anos" e "isso indica que a sociedade humana irá conhecer grandes mudanças", afirmou Liu Hongchen.

A civilização maia, cujo apogeu terá ocorrido há cerca de 1.500 anos, desenvolveu-se na região ocupada hoje pelo México e a América Central.


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