Faleceu D. Aurélio Granada Escudeiro

Faleceu D. Aurélio Granada Escudeiro

 

Paula Gouveia   Regional   26 de Ago de 2012, 13:21

Faleceu ontem à noite, na Casa Sacerdotal de Ponta Delgada, aos 92 anos, D. Aurélio Granada Escudeiro, Bispo Emérito de Angra, que exerceu funções entre 1974 e 1996 na Diocese açoriana.

 

O antecessor de D. António de Sousa Braga foi o 37.º Bispo de Angra, faleceu alguns dias depois de ter estado internado numa clínica para recuperar de uma pneumonia.

As cerimónias fúnebres de D. Aurélio Granada Escudeiro vão decorrer terça-feira na Igreja Matriz de S. José, em Ponta Delgada, estando prevista uma missa de corpo presente às 11h00.

Os restos mortais de D. Aurélio Granada Escudeiro vão ser sepultados num jazigo na ilha Terceira.

 

D. Aurélio Granada Escudeiro foi eleito bispo titular de Drusiliana e coadjutor de Angra a 18 de Março de 1974, tendo a sua entrada solene na Sede Episcopal angrense acontecido a 19 de Junho desse mesmo ano.

Datam do início do seu bispado, algumas providências de ordem pastoral, junto do Conselho Presbiteral, tendo aprovado poucos meses depois, em Novembro, o Estatuto do Conselho Presbiteral.

É da sua autoria a criação do Secretariado Regional para a Pastoral das Migrações (criado a 5 de Fevereiro de 1975) e, mais tarde, a Comissão Diocesana para a Comunicação Social (22 de Abril de 1976).

De recordar que, D. Aurélio atravessou o período conturbado do pós 25 de abril, com o processo de descolonização ultramarina africana a acontecer e o consequente e inevitável retorno de milhares de desalojados. Este facto fá-lo criar a Comissão Diocesana de Ajuda aos Refugiados, que teve importante papel sob o triplo ponto de vista material, espiritual e social nas ilhas. Transmitindo os poderes prescritos na Carta Apostólica de Paulo VI, Ecclesiae Santae Regimen, D. Aurélio Granada Escudeiro nomeia alguns sacerdotes vigários episcopais, e, seguidamente, ocupa outros na responsabilidade das ouvidorias, dedicando-se, a partir daí, a um trabalho intenso e infatigável de pastoral nestas Ilhas.

É neste período que efectua diversas deslocações e visitas ao Episcopado Português, contactando, pessoalmente, no Canadá a comunidade açoriana radicada naquele país e presidindo em Winnipeg, a convite do Cardeal-Arcebispo, à celebração da festividade em honra da Senhora de Fátima. Essa viagem proporcionou-lhe reuniões e debates, com o clero residente, no tocante a problemas intrinsecamente relacionados com a assistência religiosa ao emigrante açoriano.

Incorporou-se na peregrinação diocesana do Ano Santo, a Roma, tendo o Papa Paulo VI, na audiência que deu na Praça de S. Pedro do Vaticano a grupos de peregrinos, distinguido com a Sua Palavra, em língua portuguesa, os peregrinos e a Diocese dos Açores. Os seus conhecimentos e, sobretudo, a sua experiência adquirida no campo da pastoral das migrações levaram a Conferência Episcopal a elegê-lo vogal da Comissão Episcopal Portuguesa para as Migrações e Turismo. Na sequência do seu múnus prelatício sagrou na Ilha Terceira a paroquial de S. Jorge das Doze Ribeiras, (9.VIII.1975) e criou a paróquia da Algarvia em S. Miguel, desmembrando-a da de S. Pedro de Nordestinho (15.IV.1976). Procedeu à bênção do lançamento da primeira pedra do Mosteiro das Clarissas, Calhetas, na Ilha de S. Miguel (20.V.1976).

Após o falecimento de D. Manuel Afonso de Carvalho, foi nomeado bispo residencial (30 de Junho de 1979), vindo a tomar a respectiva posse um mês depois. A bula de preconização foi emanada do Papa João Paulo II.

D. Aurélio Granada Escudeiro nasceu em Alcains, Castelo Branco (a 29 de Maio de 1920), filho de João Lourenço Escudeiro e de D. Maria Belarmina Nunes Granada Pinheiro. Fez os seus estudos nos Seminários de Gavião, Alcains e Olivais, vindo a exercer, ainda antes de ordenado, o professorado no Seminário de Gavião. Presbítero (Portalegre, 17 Janeiro de 1943), celebrou a sua primeira missa em Alcains, sua terra natal, alguns dias depois, a 24. Num período de 20 anos a sua acção é multifacetada, quer como pároco em Gavião (1943-44) e Ortiga, Mação (1944-48), quer como professor de Religião no Liceu de Castelo Branco (1948-52) e em dois outros colégios, quer ainda, e, principalmente, como grande movimentador da obra da Acção Católica (AC). Neste campo vastíssimo, foi assistente da A.C. dos Adultos Masculinos e da juventude Católica Feminina; por deliberação do Episcopado desempenhou-se como assistente geral da LAC e da JAC(F), actividades estas que o ocuparam durante quinze anos, vindo também a ser nomeado assistente da JCF, missão esta que o obrigou a constantes jornadas no Continente e nos Açores, sob cuja orientação decorreram cursos, encontros e retiros destinados ao clero, ao laicado e a Ordens religiosas. A sua inserção nestas actividades fizeram que se deslocasse até África (Angola e Moçambique) e à Índia (Goa), usufruindo bons resultados em sucessivos encontros e reuniões internacionais. Não se eximindo ao trabalho dedicou-se à imprensa e foi redactor principal do semanário Reconquista, além de colaborar activamente em jornais e boletins da A.C.. De sua autoria a preparação de colectâneas de textos sobre doutrina da Igreja e a tradução de obras de carácter teológico. Foi representante da Igreja junto do Ministério da Saúde. No circulo da A.C. desempenhou-se ainda como assistente Nacional da Associação Católica Internacional ao Serviço da Juventude Feminina (1964-74) e como secretário, pouco depois director, Nacional das Obras Católicas Portuguesas para as Migrações. Neste último ano (1974) foi nomeado secretário da Comissão Episcopal de Migrações, desenvolvendo nesse cargo grande actividade com participação frequente em congressos e reuniões a nível internacional, apresentando teses, contactando missionários e auscultando emigrantes, em quase todos os países da Europa, Estados Unidos e Canadá


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