Fábrica centenária dos Açores vai criar museu da cerâmica

Fábrica centenária dos Açores vai criar museu da cerâmica

 

LUSA/AO online   Regional   31 de Dez de 2015, 08:37

A centenária fábrica Vieira, na cidade da Lagoa, na ilha de São Miguel, onde a produção artesanal de cerâmica é certificada, está a preparar a abertura de um museu

Segundo Manuela Vieira, uma das acionistas da fábrica, única no arquipélago dos Açores, o museu vai ter peças centenárias em poder da família (proprietária da fábrica) e alguma maquinaria que já não é utilizada no processo de fabrico.

A fábrica de cerâmica Vieira, fundada por Bernardino Silva, em 1862, produz louça decorativa, azulejos, tijoleira e telhas, entre outras peças, sendo a sua obra vulgarmente conhecida por “louça da Lagoa”.

“As peças são feitas com base no mesmo processo de há 153 anos, na roda do oleiro. As fases são sempre as mesmas: faz-se a peça, vai a secar, volta novamente à roda do oleiro, coze o barro, é vidrado, é pintado, voltando novamente a cozer. Mesmo os instrumentos com que se apara o barro mantêm-se”, conta Manuela Vieira à agência Lusa.

Todos os produtos são inspirados na vivência social, etnográfica, cultural e paisagística dos Açores.

A criação do museu, que vai funcionar num armazém existente na fábrica, segundo a gestora, conta com a colaboração de técnicos qualificados e historiadores que estão a classificar e a contextualizar as peças para exposição.

Entre a produção que se pretende expor encontra-se uma medida de litro, datada de 1862 (fundação da fábrica), um tipo de artigo que se fornecia às farmácias para fazerem as suas composições. Esta foi devolvida pelo seu proprietário à Vieira.

Quem visita a fábrica tem a oportunidade de apreciar várias peças nas suas diferentes fases de produção, desde a secagem, a pintura e a cozedura no forno, e pode mesmo assistir a artesãos a trabalhar.

Numa fase inicial da fábrica, no século XX, as peças de cerâmica eram usadas nas habitações açorianas como utensílios domésticos, mas hoje são meramente decorativas, de acordo com Manuela Vieira, que explica que a matéria-prima provém da ilha vizinha de Santa Maria e do continente.

Com a liberalização do mercado aéreo para os Açores, a procura dos produtos pelos turistas “duplicou”. Pela primeira vez, acrescenta, este ano deixou-se de sentir a sazonalidade do turismo açoriano.

“Nos anos anteriores, quando chegava o mês de setembro, nós assistíamos à quebra e desaparecia o turismo. Agora já não. Claro que não em tão grande quantidade como na altura das férias, no verão”, explica.

Manuela Vieira, que se orgulha pelo papel que a cerâmica desempenha nos Açores e no contexto nacional, está também convicta de que as novas tendências, que conciliam o antigo com o moderno, “têm favorecido” a produção e a venda de peças em cerâmica.

“Tenho, neste momento, um cliente dos Estados Unidos que me pediu uma data de peças modernas, tendo ficado ao nosso critério o design e as cores a utilizar “, exemplifica, sublinhando que a produção é vendida para os mercados norte-americano e canadiano e para o continente português.

A empresária lamenta que se assista no mercado a muitas falsificações de produtos de origem regional, entre os quais a denominada “louça da Lagoa”.

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