Enfermeiros dos Açores dizem que há médicos a prescrever por telefone

Enfermeiros dos Açores dizem que há médicos a prescrever por telefone

 

Lusa/AO Online   Regional   19 de Mar de 2015, 06:13

A Ordem dos Enfermeiros nos Açores disse hoje que há médicos na região a prescrever receitas por telefone sem observarem os pacientes, apesar das recomendações em contrário e pede medidas antes que alguém sofra com isso.

A denúncia foi divulgada em carta aberta enviada aos órgãos de comunicação social e dirigida ao presidente do Conselho Distrital do Conselho Médico da Região Autónoma dos Açores da Ordem dos Médicos.

Na carta, os enfermeiros referem pretender que os médicos cumpram a posição tomada pela Ordem contra a prescrição terapêutica via telefone.

Contactado pela Lusa, o presidente da secção da Ordem dos Médicos nos Açores, Jorge Santos, disse que este assunto, a par de outras questões, será apreciado na próxima reunião da estrutura regional da ordem, não havendo razões para uma resposta urgente.

Na carta divulgada, os enfermeiros dos Açores lembram que, em agosto de 2013, já tinham alertado para esta situação mas que não houve alterações entretanto.

Em julho de 2014, a direção regional da Saúde dos Açores solicitou às unidades de saúde públicas a divulgação de uma recomendação para que os médicos não prescrevessem receitas sem observarem os doentes, mas, de acordo com os enfermeiros, “os procedimentos médicos não sofreram alterações significativas”.

A organização dos enfermeiros nos Açores considera “existir uma incongruência grave” entre o que Ordem dos Médicos defende e o que se tem verificado e refere que, uma vez “goradas as primeiras tentativas de debelar este problema”, o responsável pelos médicos no arquipélago deve “atuar em conformidade” com as atribuições e competências definidas.

A secção dos enfermeiros dos Açores adianta que quer resolver a questão antes que se “ultrapasse os limites do razoável” e que algum cidadão “sofra direta ou indiretamente” com esta prática, admitindo proporções que “levem à necessidade de intervenção de instâncias superiores”.

A organização dos enfermeiros dos Açores anexa ao documento uma entrevista concedida pelo responsável regional da Ordem dos Médicos, Jorge Santos, a um jornal de Ponta Delgada, em outubro de 2013, onde este se afirma contra a teleconsulta nos Açores.

Os enfermeiros recordam, por outro lado, que o presidente do Conselho Regional do Norte da Ordem dos Médicos admitiu, em outubro de 2014, a instauração de processos disciplinares aos profissionais que estivessem a praticar telemedicina numa clínica instalada em Almada.

 

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