Editores açorianos vivem dificuldades e temem pela continuação da atividade

Editores açorianos vivem dificuldades e temem pela continuação da atividade

 

LUSA/AOnline   Regional   29 de Mai de 2016, 11:26

Os editores açorianos admitem estar a viver momentos difíceis e alguns consideram mesmo que a atividade está em risco, um receio partilhado pelo escritor e crítico literário Vamberto Freitas.

Atualmente existem no mercado açoriano as editoras Letras Lavadas, Veraçor, Blu, Edições Macaronésia e Companhia das Ilhas, concentradas nas ilhas de São Miguel e Terceira, a par das edições de autor.

José Ernesto Resendes, da editora Letras Lavadas, admitiu à Lusa que o futuro das editoras "está posto em causa" pela crise económica e financeira, que também afetou o setor, e pelas alterações introduzidas no mercado livreiro, em termos digitais.

Carlos Alberto Machado, da Companhia das Ilhas, declarou que "há realmente o risco, senão de desaparecimento, de redução drástica da atividade" das editoras nos Açores.

O editor salvaguardou que há falta de hábitos de leitura e que a Direção Regional da Cultura está a desenvolver uma "política extremamente errada" em termos de promoção de novos leitores.

Fernando Ranha, editor da Veraçor, afirmou que não vê grande futuro para as editoras e referiu que a sua empresa irá ter uma atividade “extremamente limitada”, centrada em publicações relacionadas com o turismo, apostando-se, em termos literários, em três ou quatro autores.

Na sua opinião, os “tempos são extremamente difíceis” e o Governo dos Açores deveria criar uma agência de promoção de autores da região no exterior.

Já o responsável da Edições Macaronésia, Alberto Peixoto, considerou que o que se pode estar a sentir é "uma maior dificuldade em ter patrocínios", tendo as editoras que se ajustar à nova realidade do mercado.

Por isso, apesar das dificuldades, não vê razões para que fechem.

“As nossas editoras correm o risco sério de desaparecerem por completo e ficamos, uma vez mais, dependentes, como no passado, das edições de autor nas gráficas que nos restarem”, afirmou, por seu turno, o escritor e crítico literário Vamberto Freitas.

O professor universitário, que detém um suplemento literário na imprensa de Ponta Delgada, considerou que a “precariedade” que existe no mercado condiciona o surgimento de novos valores, uma vez que é “extremamente difícil” para as editoras do arquipélago, que “têm um mercado limitadíssimo”, sobreviver sem um apoio institucional.

O escritor explicou que o apoio institucional deve traduzir-se não em subsídios, mas na compra de alguns exemplares dos livros que “ajudem a pagar uma primeira edição”.

“Os novos autores têm graves problemas nessa perspetiva, a não ser que concorram a um concurso literário a nível regional ou local. As nossas editoras estão a passar uma crise muito grande e é raro apostarem num autor sem haver dinheiro envolvido. Tem que haver uma certa garantia de compra de exemplares de um determinado autor”, frisou.

O professor da Universidade dos Açores entende as queixas dos escritores sobre a postura das editoras, mas ressalvou que estas “têm que ganhar dinheiro”, uma vez que “são elas que têm a máquina montada, empregados para pagar, que tomam a iniciativa e a responsabilidade legal de editar um livro”.

A agência Lusa tentou ouvir, sem sucesso, a editora Blu.

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