Editora açoriana relança obra do escritor José Martins Garcia

Editora açoriana relança obra do escritor José Martins Garcia

 

LUSA/AO online   Cultura e Social   24 de Mai de 2016, 14:45

A editora Companhia das Ilhas, dos Açores, vai relançar as obras do José Martins Garcia, considerado pela crítica, um dos mais importantes escritores açorianos do século XX

"Como uma parte das suas obras está fora do mercado ou foram editadas há muito tempo, importa dar a conhecer, renovando o conhecimento, noutros casos, um autor que merece ser lido e que teve alguma projeção nacional em determinada altura da sua carreira mas que, por razões várias, acabou por ficar fora do conhecimento do público”, declarou hoje à agência Lusa o poeta e ensaísta Urbano Bettencourt, um dos coordenadores do projeto.

Urbano Bettencourt, que partilha a coordenação do projeto com o escritor Carlos Alberto Machado, editor da Companhia das Ilhas, explicou que foram convidadas várias personalidades de diferentes áreas para o relançamento de cada obra de José Martins Garcia contribuírem com um texto escrito, não na perspetiva académica ou teórica, mas do leitor comum.

“Procuramos pessoas que perante uma determinada obra deem a sua opinião de leitor. Nós temos convidados dos mais variados campos profissionais e etários, e não só, visando promover uma aproximação ao público de uma obra que tem estado bastante afastada do circuito de leitores”, disse Urbano Bettencourt, professor cuja tese de doutoramento teve por base a obra de José Martins Garcia.

O escritor reconheceu que a obra de José Martins Garcia “não provoca uma leitura empática ao primeiro momento”, sendo necessário “estar atento ao que é, de facto, uma perspetiva satírica, em outros casos irónica, sobre determinada realidade, provocando sempre a sátira uma certa reação de desconforto”.

De acordo com a editora Companhia das Ilhas, os trabalhos literários do escritor, que vão começar a ser relançadas este ano, têm por base a publicação de parte da sua obra na editora Afrodite, de Fernando Ribeiro de Mello, em meados da década de 1970.

A abrir a publicação das obras do escritor, em 2016, vão colaborar Luiz António de Assis Brasil (romance “A Fome), João Nuno Almeida e Sousa (“Lugar do Massacre”) e Alexandre Borges (“O Medo”).

Para os anos seguintes, estão confirmados os escritores Joel Neto, Manuel Tomás, Nuno Costa Santos, Renata Correia Botelho, Rosa Maria Goulart e Vamberto Freitas.

Nascido em 1941, na Criação Velha, na ilha do Pico, José Martins Garcia faleceu em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, em 2002.

Licenciou-se em Filologia Românica, na Faculdade de Letras de Lisboa, e dedicou muito das suas reflexões à obra de Vitorino Nemésio, tendo recebido vários prémios literários nacionais e regionais.

Foi professor na Universidade dos Açores, nos Estados Unidos da América e em Paris, França, e colaborou com vários títulos nacionais, publicando predominantemente romance e conto, tendo mais de três dezenas de obras publicadas.

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