Duas mulheres comandam pela primeira vez três postos da GNR nos Açores

Duas mulheres comandam pela primeira vez três postos da GNR nos Açores

 

LUSA/AO Online   Regional   25 de Mai de 2015, 14:02

Duas mulheres comandam pela primeira vez três postos da GNR nos Açores, inicialmente "uma novidade" para a população da Graciosa, Flores e Corvo, mas que agora já não causa estranheza.

Patricia Delgado, de 34 anos, deixou há cinco meses Lisboa, onde estava no Comando Geral, na parte das relações públicas, para assumir na Graciosa os destinos do posto daquela ilha do grupo central dos Açores, sendo a primeira mulher a liderar aquele destacamento numa comissão que em princípio deveria ser por um ano, mas já pediu para ficar "mais um". “No princípio acharam estranho, porque era a primeira vez que a GNR na Graciosa estava a ser comandada por uma mulher. É normal que as pessoas tivessem um bocado mais de receio, mas fui bem recebida pela população, pelo efetivo do posto, por isso, considero que seja igual”, afirmou Patrícia Delgado, em declarações à Lusa. A responsável do posto da Graciosa admitiu que inicialmente a população pensou que ela seria "mais autoritária" por ser mulher. “Eu percebo, porque é a primeira vez que é comandado por uma mulher e por norma pensam que somos piores que os homens. Mas eu tenho uma vertente diferente de trabalhar. Preocupo-me com a população. Primeiro faço a advertência e depois, se houver uma infração, é que atuo”, disse. Cinco meses após a sua chegada, Patricia Delgado garante que está "plenamente adaptada" à pequena ilha, com cerca de 4.400 habitantes, onde "todos se conhecem" e está "cativada pela beleza" da Graciosa. “Acho que eles contam mais connosco do que se fosse no continente ou numa ilha maior. Eles contam muito com a GNR”, salientou a responsável pela GNR na Graciosa, que conta com um efetivo de nove elementos. Dos Açores conhece a Graciosa, Terceira e São Miguel, mas no verão tenciona partir de "mochila às costas" à descoberta das restantes ilhas açorianas. Com 34 anos, Susana Ribeiro partilha também da opinião da sua colega de profissão, já que disse não ter sentido qualquer reticência da população quando assumiu, a 12 de março, o comando do posto de Santa Cruz das Flores e da mais pequena ilha dos Açores, o Corvo, provisoriamente, até 08 de junho, quando regressará à Praia da Vitória, na Terceira, onde está colocada. "Claro que é novidade, mas pelo 'feedback' que recebi, as pessoas aceitaram bem. Mas não senti qualquer reticência da população nem dos militares", contou à Lusa, lembrando que ao nível da instituição (GNR) já são "muitas mulheres neste patamar". Ao contrário das experiências vividas em grandes cidades, Susana Ribeiro guarda já pequenos episódios e histórias curiosas. "Quando sensibilizamos ou autuamos, as pessoas vêm, passados um ou dois dias, mostrarem-nos as coisas que estavam mal, que já emendaram e retificaram", relatou, reconhecendo, no entanto, que na mais pequena ilha dos Açores, o Corvo, onde vivem 400 pessoas, as particulares e a condição geográfica impõe uma atuação "diferente". Segundo explicou, é necessária "uma forma de atuação diferente do que é resto no território, mais cuidado". "Também sabemos que a localização, e muitas das vezes para fazermos cumprir a lei, não é fácil e os meios para chegarem até lá demoram", acrescentou. Do Corvo, Susana Ribeiro recorda-se ainda de um outro episódio: "Há cerca de três semanas fui ao Corvo para uma ação de sensibilização junto da população sobre a nova nota de 20 euros, mas não apareceu absolutamente ninguém, além dos funcionários da câmara". Com 300 elementos nos Açores, a GNR tem um posto em cada uma das nove ilhas e três destacamentos, em Ponta Delgada (São Miguel), Angra do Heroísmo (Terceira) e Horta (Faial).

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