Corvo aguarda Marcelo de braços abertos mas na memória está a "inesquecível" viagem de Soares

Corvo aguarda Marcelo de braços abertos mas na memória está a "inesquecível" viagem de Soares

 

LUSA/AO online   Regional   1 de Jun de 2017, 14:12

No Corvo, a mais pequena ilha dos Açores, onde hoje o Presidente da República começa uma deslocação ao arquipélago, a população aguarda de braços abertos Marcelo Rebelo de Sousa, mas na memória está uma "inesquecível" viagem de Mário Soares.

"É um dia especial”, contou à agência Lusa Fraga Rodrigues, de 63 anos, "corvino de coração”, a propósito da visita do chefe de Estado, a quem não poupa elogios desde que o antigo comentador político da TVI lhe entrava casa dentro aos domingos à noite.

Fraga Rodrigues não esquece, contudo, uma visita memorável do antigo chefe de Estado Mário Soares à ilha, com pouco mais de 400 habitantes distribuídos por 17 quilómetros quadrados.

"Foi inesquecível. Naquele dia só não saiu de casa quem não podia”, declarou o morador, sentado "à espera do Presidente" prevendo que numa outra ocasião Marcelo Rebelo de Sousa fique na ilha mais do que duas horas.

O antigo Presidente da República Mário Soares (1924-2017) foi o primeiro chefe de Estado a pernoitar no Corvo, no âmbito de uma Presidência Aberta de 14 dias no arquipélago, em 1989.

Então, Mário Soares explicou que fez questão de passar uma noite com os habitantes do Corvo para “melhor lhes sentir a alma” e a população recebeu-o como se festejasse “a Nossa Senhora dos Milagres, a Sagrada Família, o Espírito Santo ou os Santos Populares”, relatou a Lusa na ocasião.

"Isto é uma festa fora do calendário”, justificavam os populares que o Presidente da República conseguiu reunir - todos - num serão corvino que incluiu jantar e festa que pôs “a dançar, na mesma pista, os presidentes da República e da Assembleia e Governo regionais”.

Também Inês Mendonça de Inês, de 84 anos, recordou a festa presidencial daquele ano.

“Foi uma festa que juntou a população, havia mesas até nos caminhos”, referiu a moradora, cuja memória a leva a Óscar Carmona, chefe de Estado entre 1926 e 1951, que também esteve no Corvo, ainda era Inês criança.

Sobre a visita de Marcelo, a mulher, cujas mãos fizeram muitas boinas de lã típicas do Corvo – “por causa das quais a ilha foi longe” -, mostrou-se satisfeita por “uma ilha tão pequena receber uma visita tão ilustre e apreciada”.

Sobre a presença de Marcelo Rebelo de Sousa, Luís Silva, de 36 anos, concluiu que “a ilha é muito pequena para a agitação do chefe de Estado”.

“Em duas horas, consegue ver a ilha três vezes”, comentou o jovem após ser entrevistado por um jornalista alemão que realiza um documentário no Corvo, ilha que o mês passado, por ocasião do Dia da Europa, 09 de maio, surgiu com um mural pintado pelo artista Daniel Eime.

Jacques Delors, presidente da Comissão Europeia entre 1985 e 1995, e o mais velho cidadão do Corvo, José Mendonça Machado, são as figuras do mural, este último votado pela população para figurar na parede da biblioteca.

O presidente da Câmara do Corvo, José Manuel Silva, acrescentou que o “pessoal está dispensado para ir receber o Presidente”, prevendo que outras entidades façam o mesmo.

José Manuel Silva acrescentou que gostaria que Marcelo Rebelo de Sousa “conseguisse passar a mensagem” para que os serviços que dependem da República “funcionassem a tempo inteiro na ilha”, referindo-se às Finanças e à Conservatória.

“As Finanças abrem uma semana por mês, o conservador vem cá uma vez por ano. Somos Portugal, somos ilha e somos concelho. Alguém que sente que vai morrer e quer fazer um testamento não o pode fazer na ilha porque não tem conservador”, lamentou.


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