Cientistas desenvolvem prótese para braço que recebe impulsos nervosos da espinal medula


 

Lusa/Açoriano Oriental   Ciência   6 de Fev de 2017, 16:26

Cientistas desenvolveram uma tecnologia que permite que uma prótese de braço possa detetar os sinais nervosos da espinal medula e assim fazer movimentos comandados pelo cérebro.

Para controlar a prótese robótica o paciente tem de pensar como se estivesse a controlar um braço fantasma e imaginar alguns movimentos simples, como beliscar com dois dedos. Sensores integrados na prótese interpretam os sinais elétricos, emitidos pelos neurónios da espinal medula, como uma ordem.

As próteses de braço atualmente no mercado são controladas pelo paciente através dos músculos que tenha no ombro ou no braço e que muitas vezes estão danificados. É uma tecnologia que apenas permite um ou dois movimentos de segurar, o que faz com que cerca de metade das pessoas a rejeite.

A equipa de investigadores que publica hoje o estudo na revista Nature Biomedical Engineering, disse que detetar sinais de neurónios motores espinais (na base do controlo dos músculos) em partes do corpo não danificadas pela amputação, em vez de usar fibras musculares remanescentes faz com que mais sinais possam ser detetados e mais comandos possam ser programados na prótese robótica, tornando-a mais funcional.

Dario Farina, do Imperial College London, departamento de bioengenharia, explicou que quando há uma amputação de um braço as fibras nervosas e os músculos também são cortados pelo que é muito difícil obter sinais para fazer uma prótese funcionar.

“Tentámos uma nova abordagem, movendo o foco dos músculos para o sistema nervoso. Isto significa que a nossa tecnologia pode detetar e descodificar sinais de forma mais clara, abrindo a possibilidade para próteses robóticas que podem ser mais intuitivas e úteis para os pacientes. É um momento muito interessante para se estar neste campo da pesquisa”, disse o responsável.

Os investigadores fizeram experiências em laboratório com seis voluntários que tinham sido amputados do ombro para baixo ou logo acima do cotovelo. E depois de algum treino de fisioterapia os pacientes conseguiram fazer uma mais ampla gama de movimentos do que nos casos do uso de uma prótese robótica clássica.

Os voluntários conseguiram mover a articulação do cotovelo e mesmo fazer movimentos radicais, movendo o pulso de um lado para o outro, ou até fechar a mão.

Ainda que seja necessário aprimorar e tornar a tecnologia mais robusta, os cientistas admitem que o modelo atual poderá estar no mercado nos próximos três anos.


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