Centros de saúde das ilhas mais pequenas precisam de mais enfermeiros

Centros de saúde das ilhas mais pequenas precisam de mais enfermeiros

 

Lusa/AO online   Regional   7 de Out de 2014, 16:55

Os centros de saúde das ilhas mais pequenas dos Açores estão a funcionar apenas com um enfermeiro no turno da noite, o que para o sindicato que representa estes profissionais é grave e já não se justifica.

"A partir da meia-noite está um enfermeiro sozinho a assegurar o serviço de atendimento de urgência e o serviço de internamento. Isto não é possível continuar mais. Já existem enfermeiros formados disponíveis para trabalhar ", salientou o presidente da direção regional dos Açores do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), no final de uma reunião com o líder do PCP/Açores, em Angra do Heroísmo.

Segundo Francisco Branco, as unidades de saúde de ilhas como Flores, Santa Maria ou Graciosa "não têm ainda o número de enfermeiros suficientes que permita prestar cuidados com segurança", já que o enfermeiro não consegue "tomar conta de 15 doentes internados e simultaneamente vir ao serviço de urgência".

O sindicalista disse não ter um levantamento feito do número de enfermeiros necessários na região, mas alertou para a situação dos centros de saúde das ilhas mais pequenas, já que este ano foi autorizada a contratação de 105 enfermeiros, mas os hospitais absorvem a maior parte.

O líder do PCP/Açores, Aníbal Pires, reuniu-se com o SEP no âmbito de umas "jornadas em defesa do Serviço Regional de Saúde" que o partido está a realizar e que vão culminar com uma interpelação ao executivo açoriano, este mês, na Assembleia Legislativa Regional.

"Julgo que há necessidade de fazer uma reflexão profunda e encontrar soluções para que, por um lado, se faça uma aposta clara na saúde primária, em políticas de saúde e não políticas para a doença, e, por outro lado, que se encontre aqui a fórmula de a capacidade que está instalada na região ser devidamente rentabilizada", defendeu, lembrando que "cerca de 40 mil açorianos não têm médico de família".

Francisco Branco aproveitou a reunião pedida pelo PCP para criticar a forma como os partidos costumam conduzir a discussão em torno do SRS, considerando que tem por base a conquista de votos, em vez das reais necessidades dos açorianos.

O sindicalista deu como exemplo a recente reorganização do SRS, em que, acusa, vários partidos "exploraram o medo natural que as pessoas têm de diminuírem o acesso à saúde", mostrando-se contra o encerramento de determinados serviços que "deveriam ser efetivamente fechados".

Questionado sobre um abaixo-assinado de enfermeiros do hospital da Terceira, entregue à administração em fevereiro, que denunciava "falta de rigor técnico-científico" e de "princípios éticos e deontológicos" e "redução do investimento terapêutico", entre outras queixas, na Unidade de Cuidados Intensivos, Francisco Branco disse só ter tido conhecimento dessa situação pela comunicação social.

Ainda assim, considerou que a administração do hospital "está em falta, porque devia ter procurado uma comissão de inquérito ou alguém que clarificasse a questão".

"O que não é admissível é que de fevereiro até final de setembro a administração não tenha tentado encontrar uma forma de clarificar o assunto, seja ele por via de provar que as coisas acontecem ou seja de provar o contrário", frisou.

Também Aníbal Pires considerou que é preciso "imputar a responsabilidade ao conselho de administração", que "não fez rigorosamente nada", pelo que é de conhecimento público.

O líder do PCP/Açores frisou que a "inação" da administração levou a que este problema viesse para a praça pública, "deixando a população preocupada, legitimamente", e defendeu que deve ser feito um apuramento do que se passou "por entidades externas".

Quando o abaixo-assinado se tornou público, no início de outubro, o conselho de administração do hospital disse num comunicado enviado ao jornal Diário Insular, que já tinha dado "indicações para que fosse aberto um processo de averiguações", garantindo que tomará "as medidas consideradas pertinentes, em função das conclusões do mesmo".


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