Centro de Ciência Viva promove anilhagem científica de aves na Lagoa das Furnas

Centro de Ciência Viva promove anilhagem científica de aves na Lagoa das Furnas

 

Lusa/AO Online   Regional   14 de Jul de 2014, 10:17

Estudar rotas, distribuição geográfica e comportamento das aves residentes nos Açores ou que utilizam o arquipélago nas suas migrações é um dos objetivos de uma sessão de anilhagem científica de aves que vai decorrer este mês na Lagoa das Furnas.

“A ideia é apanhar algumas aves aleatoriamente, que ficam presas nas redes e colocar-lhes uma anilha. Depois estas aves podem ser reencontradas por outros anilhadores. Consegue-se assim perceber a distribuição das aves”, afirmou à agência Lusa Carolina Ferraz, da Expolab, Centro de Ciência Viva, que promove pela primeira vez esta sessão de anilhagem, no dia 19 de julho, na Lagoa das Furnas, na ilha de São Miguel, nos Açores.

A anilhagem é um método de investigação que consiste na marcação individual das aves, recorrendo à colocação de uma anilha na pata, o que permite ter um maior conhecimento sobre a evolução das populações de aves que residem ou utilizam o arquipélago como ponto de passagem ou estadia nas suas migrações.

O anilhador assegura que a ave está em segurança e no final é libertada.

Carolina Ferraz explicou que, por exemplo, nos Açores "já se encontrou uma ave que tinha uma anilha holandesa, ou seja, veio da Holanda e possivelmente terá voltado para aquele país".

"Muitas aves passam pelos Açores recorrentemente", na sua rota migratória, e "outras vêm cá parar por causa de tempestades", explicou ainda.

Nesta saída de campo, os especialistas esperam encontrar, em princípio, muitos passiformes, como as estrelinhas e os tentilhões, e a sessão de anilhagem tem um número limite de 25 inscrições.

"Temos feito várias [iniciativas] de saída de campo para observação de aves, no entanto, uma sessão de anilhagem é a primeira vez. E fazendo este trabalho, depois é mais fácil perceber de onde vêm as aves que acorrerem aqui aos Açores na sua rota migratória. Mas especificamente, nesta atividade, acreditamos que mais facilmente vão aparecer aves residentes, como os melros, os tentilhões, os pardais", referiu.

O Centro de Ciência Viva promove nos dias 18 e 19 de julho o 'workshop' “introdução ao mundo das aves: estatuto e conservação” com o investigador Paulo Catry, especialista em conservação de aves marinhas e aves migradoras e que está envolvido em diversos projetos de investigação.

Segundo Carolina Ferraz, a iniciativa está divida em duas partes, a teórica e a prática, sendo que no primeiro caso está agendada para dia 18, pelas 18:00, uma palestra sobre "o mundo maravilhoso das aves migradoras”.

A 19 de julho haverá então a saída de campo para anilhagem de aves na Lagoa das Furnas, atividade orientada por Paulo Catry, seguindo-se uma observação de aves, também na mesma zona, organizada pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA).

Ainda no mesmo dia, pelas 15:30, no Expolab, serão realizadas duas palestras: "Aves Marinhas de Portugal e do Mundo: biologia e conservação", pelo investigador Paulo Catry, e, pelas 16:30, a SPEA falará sobre o projeto de conservação do priolo que desenvolve há dez anos.

O Expolab (Centro de Ciência Viva Sociedade Afonso Chaves) "tem o objetivo de divulgar e aproximar as pessoas à ciência", salientou Carolina Ferraz, acrescentando que os Açores são "um importante local para a observação de aves", atividade que tem tido grande expansão no arquipélago.

 


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