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Candidato do Livre quer intervenção política no rendimento dos pescadores

Candidato do Livre quer intervenção política no rendimento dos pescadores

 

Lusa/AO Online   Regional   3 de Out de 2016, 16:58

O cabeça de lista do partido Livre pela ilha de São Miguel responsabilizou hoje o poder político pela ausência de uma intervenção ao nível do rendimento dos pescadores, defendendo o seu reforço.

“Há uma situação em que o valor do peixe está a aumentar e em que a maior parte da classe piscatória está a ganhar rendimentos de miséria e a viver à conta do Rendimento Social de Inserção (RSI). Isso é absolutamente inaceitável”, disse à agência Lusa José Azevedo, na sequência de uma ação de campanha no ilhéu de Vila Franca do Campo, na ilha de São Miguel.

O candidato acentuou que “muito do lucro do peixe” está a ficar nos circuitos de comercialização e distribuição e não a ser revertido para os pescadores e armadores, que “são, de facto, quem produz o valor”.

José Azevedo defendeu incentivos à formação de cooperativas que intervenham diretamente no mercado de comercialização e distribuição do pescado, visando “capturar o valor” para quem produz.

O biólogo da Universidade dos Açores declarou que uma das soluções que “tem de ser implementada rapidamente” para fazer face ao excesso de pesca nos Açores é a criação de reservas marinhas integrais, nas quais as espécies “possam evoluir de acordo com a ecologia normal das regiões de costa”.

“Estas áreas devem funcionar como autênticas reservas da biosfera no sentido de as pessoas poderem ver como pode ser a vida marinha dos Açores quando não é afetada pela pesca. Por outro lado, devem ser zonas de desova, expansão e repovoamento, que façam com que as zonas próximas tenham capacidade de se regenerar, gerar peixe e rendimento para os pescadores”, declarou.

José Azevedo preconizou a necessidade da “sobrepesca” ser discutida com os vários agentes do setor, para se chegar a “posições que sejam consensuais”, tendo sublinhado que existem soluções que “são óbvias”, já demonstradas em “muitos sítios e que “têm tardado a ser implementadas”.

O candidato reconheceu que foram dados “alguns passos” como a reserva parcial criada na freguesia da Ribeira Quente, concelho da Povoação, na ilha de São Miguel, que abrange uma “área relativamente grande” e no âmbito da qual, por via do consenso com os pescadores, existem artes de pesca que estão restringidas, como as redes de emalhar.

Para a votação de dia 16 estão inscritos cerca de 228 mil eleitores que vão escolher os 57 deputados à Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores para os próximos quatro anos.

De acordo com os resultados das eleições, o Representante da República nomeia depois o presidente do Governo Regional que, por sua vez, propõe os membros do executivo.

Treze forças políticas apresentam-se a votos, mas nem todas concorrem nos dez círculos eleitorais. Apenas aos círculos de São Miguel, que elege 20 deputados, e de compensação, que elege cinco, concorrem todas.

Nas últimas eleições regionais, realizadas a 14 de outubro de 2012, o PS venceu com maioria absoluta (49,02%) e elegeu 31 deputados, seguido do PSD, com 20 mandatos (33,01%) e CDS-PP com três (5,67%). BE (2,25%), CDU (1,9%) e PPM (0,08%) elegeram um parlamentar cada.


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