Força aérea mantém "constrangimentos" no transporte de doentes nos Açores

Força aérea mantém "constrangimentos" no transporte de doentes nos Açores

 

Lusa/AO Online   Regional   27 de Jan de 2015, 15:14

O secretário regional da Saúde dos Açores disse que a Força Aérea mantém "alguns constrangimentos" para responder às solicitações de transporte urgente de doentes na região, as chamadas evacuações médicas.

 

"Felizmente, com boa colaboração que a Força Aérea tem prestado nessa matéria, com o devido sentido de missão que a Força Aérea tem sobre estas questões, todas as questões têm sido resolvidas. Agora, pontualmente, têm havido alguns constrangimentos, principalmente no limite de horas do voo de cada tripulação", frisou Luís Cabral.

O secretário regional da Saúde falava, em declarações aos jornalistas, no final de uma audição na Comissão de Política Geral da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, em Angra do Heroísmo.

Luís Cabral deu como exemplo aos deputados uma situação registada na segunda-feira, em que a equipa de evacuações médicas teve de pernoitar na ilha de São Miguel, na sequência de uma transferência urgente de um doente da ilha de Santa Maria, por não poder voar mais horas para regressar à Terceira.

"O Governo Regional tem feito os devidos alertas. Não podemos fazer mais do que tem sido feito sobre esta matéria", salientou na audição, acrescentando que a Força Aérea tem "reconhecido limitações" e existe uma "promessa" de colocação de mais pilotos na Base Aérea n.º 4, nas Lajes.

Segundo o secretário regional, está a ser feita formação de pilotos e comandantes, mas a sua colocação nos Açores depende do Ministério da Defesa Nacional.

"Aguardamos com expetativa que a situação fique resolvida. Percebo que não sejam formações que se façam em dois dias, mas esperamos e gostaríamos que houvesse entretanto essa disponibilidade muito em breve", frisou.

Luís Cabral foi também questionado pelo deputado do PSD Bruno Belo sobre o inquérito ao caso ocorrido em junho de 2014 na ilha de S. Jorge, em que a Força Aérea não conseguiu transferir de um ferido para o hospital, por falta de meios disponíveis, tendo o homem acabado por morrer.

O secretário regional disse apenas que o resultado da investigação será conhecido "em breve".

"Esse inquérito está a ser avaliado. Foi entregue ao presidente do Governo Regional e obviamente, como devem compreender, tem aqui algumas questões que têm de ser devidamente esclarecidas naquilo que é o relacionamento entre o Governo Regional e o Governo da República e é essa fase que estamos agora a cumprir para que possa ser corretamente divulgado", disse aos jornalistas.

A deputada do Bloco de Esquerda, Zuraida Soares, lembrou que o presidente do Governo Regional lhe prometeu em outubro divulgar o relatório do inquérito num prazo de 15 dias, mas não o fez, acrescentando que voltou a questionar a secretária regional adjunta da Presidência, mais tarde, e continua sem obter o relatório.

"Há atraso na sua divulgação porque, se calhar, não há conclusões simpáticas e se calhar o momento não é o mais indicado para uma conflitualidade com o Governo da República", apontou.

Por sua vez, o deputado socialista José San-Bento afirmou que a secretária de Estado da Defesa, a açoriana Berta Cabral, se comprometeu a resolver o problema da falta de meios da Força Aérea em seis meses, a propósito do caso de São Jorge.

Apenas três das nove ilhas dos Açores têm hospital, sendo o transporte urgente de doentes (as chamadas evacuações médicas) asseguradas pela Força Aérea.

 

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