BE/Açores diz que liberalização de espaço aéreas pode penalizar habitantes de algumas ilhas

BE/Açores diz que liberalização de espaço aéreas pode penalizar habitantes de algumas ilhas

 

Lusa/AO Online   Regional   15 de Dez de 2014, 17:43

O coordenador do BE/Açores alertou hoje para que os habitantes da Terceira e São Miguel, cujas ligações aéras ao continente serão liberalizadas em 2015, poderão ter de fazer escala noutra ilha quando forem a Lisboa para evitarem preços "exorbitantes".

"A alternativa para um micaelense que queira apanhar viagens mais baratas, no caso destas companhias aéreas 'low cost' virem a praticar no futuro preços exorbitantes, é simplesmente apanhar o avião através de Santa Maria, do Faial ou, quem sabe, da Terceira, se vier a ficar sob o âmbito das obrigações de serviço público", salientou Paulo Mendes, numa conferência de imprensa, em Angra do Heroísmo.

As ligações aéreas entre o continente e as ilhas Terceira e de São Miguel serão liberalizadas a partir da primavera de 2015.

Os residentes nos Açores têm garantido um preço máximo por viagem ao continente de 134 euros. Se a companhia aérea lhes cobrar mais do que isso quando compram o bilhete, serão depois reembolsados da diferença.

As restantes ilhas que têm ligação direta a Lisboa (Faial, Pico e Santa Maria) continuarão sujeitas às obrigações de serviço público, que impõem um preço máximo do bilhete no momento da compra de 320 euros, antes do reembolso da diferença.

No caso das rotas liberalizadas, não há um preço máximo estabelecido para o bilhete na hora da compra.

Para Paulo Mendes, o Governo Regional sabe que não pode obrigar as companhias de baixo custo a praticar um preço máximo por passagem, por isso, dá a opção aos habitantes das ilhas com rotas liberalizadas de viajarem pelas ilhas que mantêm obrigações de serviço público.

"Não há interesse em dizê-lo de uma forma assim tão clara, mas essa será a realidade no futuro", frisou.

O coordenador regional do Bloco de Esquerda considerou que a liberalização do mercado dos transportes aéreos em duas ilhas dos Açores veio aprofundar "desigualdades".

Diversas companhias 'low cost' anunciaram já ligações para Ponta Delgada (São Miguel) a partir de 2015, mas ainda nenhuma mostrou interesse em voar para a ilha Terceira.

Paulo Mendes disse que questionou o secretário regional do Turismo e Transportes sobre essa possibilidade em julho, mas Vítor Fraga alegou, segundo o dirigente do BE, que "essa seria uma hipótese meramente académica e que seria praticamente impossível vir a ocorrer".

"Por enquanto, o que nos resta é esperar para que sejam novamente estabelecidas obrigações de serviço público para a ilha Terceira e que haja também empresas ou companhias aéreas interessadas em cumprir esses requisitos inerentes às obrigações de serviço público", salientou.

O coordenador regional do BE alertou ainda para o risco de os trabalhadores da SATA, a companhia aérea dos Açores, perderem o seu emprego, na sequência da liberalização do espaço aéreo no arquipélago.

"Temos uma companhia aérea 'low cost' que prometeu, com um único avião com capacidade máxima para 139 passageiros, criar 350 postos de trabalho, mas nunca ninguém coloca as questões ao contrário: como é que esta companhia aérea poderá destruir ou precarizar postos de trabalho?", frisou.


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