Ave marinha painho-de-monteiro vai ter projeto de conservação


 

Lusa/AO Online   Regional   21 de Abr de 2015, 14:13

O painho-de-monteiro, uma pequena ave marinha restrita à Graciosa, nos Açores, vai ser alvo de um plano de ação, no âmbito de um novo projeto internacional, que permitirá implementar "uma estratégia de conservação estruturada" desta espécie ameaçada.

“Este plano está integrado num novo projeto internacional, coordenado pela BirdLife Internacional, e será adotado pela Comissão Europeia, que poderá criar linhas de financiamento e oportunidades para proteger o painho-de-monteiro”, disse à Lusa o diretor executivo da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), Luís Costa.

Segundo a SPEA, o projeto recém-aprovado chama-se Life EuroSap e junta 10 países europeus, entre os quais Portugal, com o objetivo de enfrentar “os novos desafios e ameaças a que algumas das aves icónicas estão sujeitas".

Este projeto, cujo representante em Portugal é a SPEA, terá três anos de duração e atuará em 16 espécies-alvo, algumas das quais são consideradas as "mais carismáticas e ameaçadas da Europa", como a rola-brava e o painho-de-monteiro, esta última nos Açores.

No caso do painho-de-monteiro, trata-se de uma pequena ave marinha que apenas nidifica no Ilhéu da Praia e no Ilhéu de Baixo, localizados ao largo da Ilha Graciosa, embora, segundo Luís Costa, persistem "suspeitas de que possam existir algumas colónias noutras ilhas".

Esta ave apresenta um "estatuto de conservação desfavorável" e está sujeita a várias ameaças, em particular "a predação por outros animais".

"Esta espécie está geralmente circunscrita aos ilhéus, daí que seja muito vulnerável", explicou o diretor executivo da SPEA, indicando que se trata de uma ave "ameaçada e classificada como vulnerável", sobretudo porque "tem uma população muito pequena" e a área de "ocorrência das suas colónias é também muito pequena".

Além disso, "foi descoberta como espécie própria há relativamente pouco tempo e não tem nenhum plano de ação e, portanto, é a primeira vez que se vai fazer um exercício destes", frisou, indicando que o plano vai identificar as principais causas de ameaça e as medidas de conservação que serão implementadas durante os próximos anos.

"É um documento importante, porque permite identificar o que falta investigar e dar orientações aos gestores do Parque Natural e das áreas protegidas sobre como devem atuar para proteger a ave”, explicou Luís Costa, acrescentando que o plano “abre oportunidades de financiamento junto da Comissão Europeia".

No âmbito do projeto, decorre até quarta-feira, na ilha Graciosa, o ‘workshop’ "painho-de-monteiro: oportunidades e desafios", passando-se depois para uma nova fase, que deverá decorrer durante um ano, onde será traçado um plano de prevenção e defesa.

Os intervenientes neste plano são o Parque Natural da Ilha Graciosa, o Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP) da Universidade dos Açores, a Câmara Municipal de Santa Cruz da Graciosa, a SPEA e investigadores internacionais, disse Luís Costa.

O ‘workshop’ integra a atribuição de prémios a alunos da Graciosa pela realização de trabalhos sobre o painho-de-monteiro.

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