Autarca da Praia da Vitória exige plano de mitigação imediato

Autarca da Praia da Vitória exige plano de mitigação imediato

 

Lusa/AO Online   Regional   9 de Jan de 2015, 16:32

O presidente da Câmara da Praia da Vitória exigiu hoje que seja posto em prática de imediato um plano de mitigação para o concelho devido à redução militar norte-americana na base das Lajes, admitindo avançar para medidas "radicais".

"Exigimos que a Comissão Bilateral Permanente, que se reúne no próximo mês de fevereiro, aprove um plano de mitigação para a Praia da Vitória [concelho onde fica situada a base das Lajes], a ser implementado de imediato", afirmou Roberto Monteiro (PS) em conferência de imprensa.

O autarca reivindicou "o desbloqueio imediato de todos os entraves ao aproveitamento e dinamização das infraestruturas portuária e aeronáutica existentes no concelho, acompanhadas por um pacote financeiro que permita a concretização das várias propostas apresentadas pelo município para a potenciação dos ‘clusters’ marítimo e aeronáutico da ilha Terceira".

O autarca exigiu ainda "mecanismos e respetivos fundos para a implementação imediata de planos de apoio social e de formação profissional para inverter o crescimento do desemprego no concelho".

A autarquia quer ter direito a um representante na próxima reunião da Comissão Bilateral Permanente e exige ao primeiro-ministro que responda, antes dessa mesma reunião, ao memorando apresentado aquando da deslocação de Passos Coelho aos Açores, em novembro de 2014.

Roberto Monteiro lembrou a apresentação de um conjunto de propostas de compensação pelo impacto já sentido no concelho com a redução da presença militar norte-americana na base das Lajes, ao Representante da República para os Açores e ao ministro dos Negócios Estrangeiros, em novembro de 2013, e ao primeiro-ministro, em outubro de 2014.

Na ocasião, Passos Coelho comprometeu-se a responder ao memorando da autarquia dentro de 60 dias, mas até à data não o fez, segundo o autarca.

"Hoje, como na altura, continuo convencido que nunca houve, nem haverá um interesse concreto em avançarmos nesta questão", frisou.

O autarca deu agora um prazo de 30 dias para que o Governo da República responda às suas exigências e ameaça avançar com medidas "radicais", caso não obtenha respostas até à realização da reunião da Comissão Bilateral Permanente.

"Se não se chegarem à frente, nós vamos tomar medidas radicais nunca antes vistas nesta terra pela luta intransigente dos nossos interesses e dos interesses de todos os praienses", frisou.

Roberto Monteiro acusou o Governo da República de "incompetência" e de se preocupar apenas com o estado da sua relação com os Estados Unidos, ignorando o povo.

O presidente da Câmara Municipal da Praia da Vitória recordou declarações de Paulo Portas, em que o então Ministro dos Negócios Estrangeiros dizia que a uma redução de contrapartidas dos norte-americanos teria de corresponder uma redução de "facilidades", reivindicando que Portugal deve "clarificar a sua amizade pelos Estados Unidos".

O autarca disse que a Praia da Vitória "não aceita ser a ‘low-cost’ dos americanos" e que por isso não vai admitir que os EUA continuem a usar a base das Lajes "sem limitações, mas com menores custos".

Roberto Monteiro criticou ainda a reação do atual ministro dos Negócios Estrangeiros, por se ter demonstrado apenas "desagradado" com a decisão dos norte-americanos, considerando que o Governo da República já tinha informações sobre o futuro das Lajes.

"Não tenho dúvidas nenhumas e continuo a reiterar que o ministro da Defesa já há muito teria conhecimento sobre este desfecho", salientou, alegando que as declarações do embaixador dos Estados Unidos em Portugal comprovam que "os vários passos deste projeto foram sempre dados em diálogo com o Governo português".


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