Artista açoriano José Nuno da Câmara Pereira morreu aos 80 anos

Artista açoriano José Nuno da Câmara Pereira morreu aos 80 anos

 

Lusa/AO online   Regional   16 de Jan de 2018, 14:19

O artista plástico José Nuno Monteiro da Câmara Pereira, natural da ilha de Santa Maria, nos Açores, morreu domingo, aos 80 anos, em Lisboa, onde residia, disse hoje à agência Lusa fonte do Governo açoriano.

O diretor regional da Cultura, Nuno Lopes, disse à Lusa que o artista e dinamizador cultural, nascido a 01 de abril de 1937, será cremado na quarta-feira e as suas cinzas transportadas para a ilha Terceira, onde chegou a residir, segundo informação da família.

Segundo o diretor regional da Cultura, José Nuno da Câmara Pereira "é um dos expoentes máximos da arte plástica açoriana, com dimensão nacinal e internacional".

José Nuno da Câmara Pereira dedicou também grande parte da sua vida a atividades de dinamização cultural.

Licenciado em Pintura pela Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, o artista expôs individualmente no continente, mas realizou também instalações no estrangeiro, e ainda nos Açores, e participou em diversas exposições coletivas.

Segundo informações disponibilizadas 'online' pelo Instituto Açoreano de Cultura (IAC), em 1987-88, José Nuno da Câmara Pereira frequentou o Center for Advanced Visual Studies do MIT – Massachusetts Institute of Technology, em Cambridge, nos Estados Unidos, como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian e da Fundação Luso-Americana.

Em 1990/1991, de regresso a Portugal, promoveu a criação do Centro de Arte e Investigação (CAI).

Já em 1994, e tendo-se fixado nos Açores, fundou a Oficina d'Angra - Associação Cultural, que "visava preencher uma lacuna na área da criação e divulgação artística na região".

Além de pintura e escultura, José Nuno da Câmara Pereira também se dedicou ao ensino e participou em projetos de decoração artística de igrejas, também no âmbito do teatro e na música.

Está representado em diversas coleções portuguesas, no Continente e Açores.

Entre as suas principais exposições individuais, de acordo com a Carmina Galeria, na Terceira, contam-se “Paisagens de Mito e Memória”, no Museu Carlos Machado, em Ponta Delgada, e “Imaginação da Matéria”, na Central Tejo, no final da década de 1970, além da série "Transfiguras", para a coletiva “Histórica Trágico-Marítima”, organizada pela Associação Internacional de Críticos de Arte, Sociedade Nacional de Belas-Artes, em 1983.

“Recado para Inês”, instalação na Igreja de Santa Clara-a-velha, em Coimbra, "A window on the Azores", no Newbedford Art Museum, nos EUA, e a mostra itinerante "O riso de Buda em tempo de Guerra" são outras exposições destacadas pela galeria açoriana.

José Nuno da Câmara Pereira expôs ainda, na década de 1980, na Feira Internacional de Arte Contemporânea, no Grand Palais, em Paris, em representação da Galeria Quadrum, e fez parte da coletiva “1984 o Futuro é já hoje”, do Centro de Arte Moderna, Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

Decorou as paredes do altar-mor e da entrada da Igreja Matriz de Almada, a convite do arquiteto Nuno Teotónio Pereira, assinou as instalações de homenagem a Goethe e Fernando Pessoa, no edifício Círculo de Leitores, e os relevos da entrada e envolvente da escadaria da Biblioteca Pública de Ponta Delgada, assim como o teto do Teatro Faialense, a convite do arquiteto José Lamas.

É autor dos painéis de azulejos na Escola Secundária da Lagoa, São Miguel, no Jardim dos Corte-Reais e no Jardim Público de Angra do Heroísmo, e do Jardim de Pedra para as Vinhas do Pico, nos Açores.

Foi premiado pela 1.ª Bienal dos Açores e Atlântico, na III Exposição de Artes Plásticas Fundação Calouste Gulbenkian, pela Associação Internacional de Críticos de Arte e pela Direção Regional da Cultura Açores, entre outras instituições.

O artista foi ainda distinguido em 2010 nas cerimónias oficiais do Dia dos Açores.

Em 2016, foi organizada uma exposição retrospetiva da sua obra, no Centro de Artes Contemporâneas - Arquipélago -, na Ribeira Grande, S. Miguel, comissariada por José Luís Porfírio, com o título "Um Sísifo Feliz", que reconstruiu uma das suas principais instalações, "Paisagem ou Mar de Lama", de 1986.



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