Armadores pedem grupo de trabalho para analisar futuro da frota palangreira de superfície

Armadores pedem grupo de trabalho para analisar futuro da frota palangreira de superfície

 

Lusa/AO online   Economia   3 de Dez de 2012, 11:11

Os armadores portugueses pediram ao Governo a criação de um grupo de análise ao futuro da frota palangreira de superfície, atividade que está em risco devido à proibição comunitária de remoção das barbatanas de tubarão a bordo.

Num ofício enviado ao secretário de Estado dos Assuntos do Mar, Manuel Pinto de Abreu, a Associação dos Armadores das Pescas Industriais (ADAPI) admite ainda a necessidade de incluir este tipo de embarcações no quadro de uma próxima portaria de abates.

"Com o duro golpe que a frota de palangre de superfície [com anzóis] acaba de receber, por via desta mais que incompreensível proibição, a sustentabilidade operativa e económica ficou definitivamente comprometida", lê-se no documento, ao qual a agência Lusa teve hoje acesso.

Acrescenta a ADAPI que a utilização de fundos comunitários para "cessações definitivas de atividade de pesca, que englobe navios de palangre de superfície, terá que inevitavelmente acontecer".

Isto tendo em conta, além da proibição comunitária do corte da barbatana do tubarão a bordo, também a "acentuada desproporção entre a capacidade de captura e as quotas de espadarte" para o Atlântico, assuntos que os armadores querem discutir com o Governo, apelando à criação de um grupo de análise.

Em causa está, sobretudo, a proposta da Comissão Europeia aprovada a 22 de novembro no Parlamento Europeu, para prevenir a prática de ‘finning', que consiste em aproveitar as barbatanas e rejeitar as restantes partes dos tubarões, que são atiradas ao mar.

"A prática de ‘finnig' é feita no Pacífico por barcos asiáticos. Nós não fazemos nada disso, porque temos rendimento com o tubarão todo", afirma, igualmente, Francisco Portela Rosa, da VianaPesca, outra das cooperativas de armadores que contesta a decisão.

Só em Portugal, esta proibição implicará a paragem de 32 navios-fábrica, que asseguram a bordo a transformação da tintureira, uma espécie de tubarão, antes do seu congelamento.

"O que querem impor é que estes barcos passem a congelar o peixe todo a bordo para o tratarem em terra, algo impraticável porque as barbatanas tornam-se verdadeiras facas, não é possível fazer o devido acondicionamento", explicou.

Dizem ainda que esta alteração obrigaria a um maior número de viagens a terra, tornando "incomportável" o custo da atividade, mas insistem também que a adoção desta medida na Europa "não faz sentido".

Isto tendo em conta que a frota comunitária "aproveita todas as partes dos tubarões capturados", alcançando com a venda da carne dos troncos "um proveito económico muito semelhante ao que obtêm com as barbatanas".

"É verdadeiramente paradoxal, chocante e lamentável que uma Europa a definhar, sob o ponto de vista da competitividade empresarial e económica, tenha aceitado autoflagelar-se (…), estando em vias de perder, irreversivelmente, mais uma fatia importante do seu tecido económico, emprego e capacidade de abastecimento autónomo do mercado com produtos de pesca", lembra a ADAPI, no oficio enviado ao Governo.

Apenas Portugal e Espanha serão afetados por esta medida, os únicos que possuem uma frota do género, envolvendo 186 navios e mais de 2.700 pescadores, prevendo-se um prejuízo anual de 10 milhões de euros decorrente desta proibição.

Contudo, a frota comunitária é responsável por apenas sete por cento das capturas mundiais de tubarão, recordam os armadores.


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