Âncora descoberta na Terceira sustenta teoria de ocupação pré-portuguesa dos Açores

Âncora descoberta na Terceira sustenta teoria de ocupação pré-portuguesa dos Açores

 

Lusa/Açoriano Oriental   Regional   22 de Fev de 2017, 11:28

O investigador da Universidade dos Açores Félix Rodrigues disse que a descoberta na ilha Terceira de uma âncora, típica do primeiro milénio antes de Cristo, é mais uma prova da "ocupação pré-portuguesa" dos Açores.

“Trata-se de uma âncora com uma tipologia típica do primeiro milénio antes de Cristo, que é um artefacto impossível de se imaginar que poderia existir na ilha Terceira”, afirmou Félix Rodrigues.

O docente da Universidade dos Açores explicou que sinalizou e registou a peça em 2012, mas “não havia até à data uma interpretação clara do que poderia ser ou qual seria o seu uso” até ser feita uma investigação mais profunda.

“A peça não foi encontrada no mar e, por isso, a hipótese de poder ser âncora não foi colocada, pois podia ser um utensílio agrícola. Até que numa investigação mais profunda e no resultado de contactos feitos com várias pessoas chegou-se à conclusão que é uma âncora”, declarou.

Segundo Félix Rodrigues, com formação em Física, a âncora descoberta, “com a mesma tipologia das encontradas no Mediterrâneo, todas elas da Idade do Bronze”, é “mais uma das muitas provas que sustentam a teoria de que as ilhas do arquipélago dos Açores eram povoadas” antes da chegada de Gonçalo Velho à ilha de Santa Maria, em 1431.

“Este é um momento de viragem, de olhar para as coisas que se vão encontrando pelas ilhas. E não só na ilha Terceira, porque as outras ilhas também têm [estruturas sinalizadas]”, declarou o investigador, considerando que a hipótese que melhor explica a existência de tais elementos é a da presença pré-portuguesa na região.

Félix Rodrigues exemplificou com uma amostra de uma pia esculpida numa rocha na Grota do Medo, na ilha Terceira, que foi datada com 950 anos por um laboratório norte-americano.

“Não sabemos se a presença foi de passagem ou de alguma permanência, porque as ilhas podiam servir perfeitamente de passagem ou apenas um local para extrair alguns produtos de interesse comercial”, referiu, adiantando que o arquipélago tinha “produtos extremamente importantes”, como o ‘murex brandaris’, um búzio que produz tinta, sendo que “uma grama dessa tinta era mais cara que um grama de ouro”.

A âncora, cuja descoberta já levou à elaboração de um artigo científico, permanece no local, mas o docente da Universidade dos Açores já alertou “as entidades competentes” para a sua “remoção e colocação num museu ou num local onde possa ser mais estudada”.

A eventual ocupação pré-portuguesa dos Açores foi abordada num documentário da National Geographic que estreou em janeiro nos Estados Unidos da América, no qual Félix Rodrigues colaborou.


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