Ambientalistas dos Açores insistem em plano para salvar ave em risco


 

Lusa/AO Online   Regional   19 de Jul de 2016, 14:23

O Clube de Amigos Defensores do Património de Santa Maria reiterou hoje junto do Governo dos Açores a necessidade de implementar um plano de conservação e proteção da Estrelinha, a ave mais pequena da Europa, em perigo de extinção.

 

“Continua com o estatuto de criticamente em perigo pelo Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade”, afirmou à agência Lusa o presidente do clube, José Andrade Melo, acrescentando que a ave Estrelinha de Santa Maria consta da lista dos 13 vertebrados mais ameaçados do país.

A Estrelinha de Santa Maria, que se alimenta de insetos, vermes e aranhas, tem oito centímetros de comprimento e 12 a 14 de envergadura, é considerada a ave mais pequena da Europa, tem um papel importante no controlo biológico de algumas espécies e é muito procurada no âmbito da atividade de observação de aves.

José Andrade Melo, que hoje reuniu em Santa Maria com o secretário regional da Agricultura e Ambiente, defendeu a implementação de um plano de conservação e proteção da ave Estrelinha, considerando que desta vez deveria ser contactada a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), por ter experiência no arquipélago, nomeadamente na ilha de São Miguel com o Priolo, ave que também esteve ameaçada de extinção.

Segundo disse José Andrade Melo, seria “muito importante” que o executivo estabelecesse um protocolo com a SPEA e arranjasse financiamento comunitário para avançar desta vez com o plano, permitindo, entre outras coisas, realizar um estudo que quantifique o efetivo populacional desta ave e elencar quais as suas reais ameaças.

No final do encontro, que decorreu no último dia da visita estatutária do executivo açoriano à ilha de Santa Maria, o secretário regional da Agricultura e Ambiente, Luís Neto Viveiros, revelou que ficou acordado que elementos das direções regionais do Ambiente e dos Recursos Florestais vão plantar nas zonas mais críticas da ilha as espécies endémicas necessárias para preservar o habitat natural da ave Estrelinha, recorrendo a plantas existentes em Santa Maria, São Miguel e Terceira.

Reconhecendo que este não é um passo com todo o detalhe científico que se exige, o governante considerou ser uma forma de iniciar o projeto de conservação e proteção da ave Estrelinha, contando, para o efeito, com o apoio do Clube de Amigos Defensores do Património de Santa Maria.

Luís Neto Viveiros reconheceu, ainda, que o executivo continua à procura de um parceiro, dado que “a Universidade dos Açores e a SPEA não manifestaram interesse em liderar o projeto”, mas caso surja alguma entidade ou empresa poder-se-á fazer algo “mais detalhado e com outra base científica”.

A ave Estrelinha, que possui o nome científico de ‘regulus regulus sanctae-mariae’, vive em zonas dispersas na ilha, concentrando-se na zona do Pico Alto e no Barreiro da Faneca. Prefere os espaços com arbustos que contenham espécies da laurissilva (floresta húmida subtropical apenas existente na Macaronésia) para pernoitar e nidificar.

 

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