Agricultores açorianos desafiam Governo a resolver pagamentos à Segurança Social

O presidente da Associação Agrícola de S. Miguel desafiou hoje os ministros da Agricultura e da Segurança Social a resolverem a questão do aumento das contribuições para a Segurança Social dos agricultores, algo que Assunção Cristas prometeu analisar.


“Desafio a senhora ministra junto com o ministro do Emprego e Segurança Social no sentido de salvaguardar essa situação”, afirmou Jorge Rita, num almoço com a ministra da Agricultura e do Mar, que juntou cerca de 300 agricultores micaelenses no parque de exposições de S. Miguel, nos Açores.

Jorge Rita referiu que a partir de 2011 o pagamento da Segurança Social para alguns agricultores “tem sido dramático”, acrescentando que o atual regime de tributação passou dos 8% para os 28% de toda a receita bruta da exploração.

“Para um jovem agricultor, e todos temos um discurso favorável aos jovens agricultores, obviamente que estamos a garrotá-los em termos financeiros”, disse o dirigente associativo e também presidente da Federação Agrícola nos Açores, recordando que para muitos isso poderá significar a “asfixia total”.

Sem se comprometer com uma alteração, a ministra da Agricultura disse apenas que iria abordar o assunto com o ministro da Solidariedade, Emprego e Segurança Social.

“Tomo boa nota do desafio que foi feito em relação à Segurança Social e levarei para conversar com o meu colega da Solidariedade”, afirmou Assunção Cristas, que disse vir hoje à ilha de S. Miguel para cumprir “um ponto de honra” de estar nos Açores um mês após o fim das quotas leiteiras e verificar pessoalmente os impactos.

O presidente da Associação Agrícola de S. Miguel considerou que os agricultores açorianos vão conseguir dar resposta a esta nova fase de mercado liberalizado: “Percebemos todos rapidamente na região autónoma dos Açores que o que nós tínhamos que fazer era produzir com qualidade, tentar reduzir ao máximo custos de produção e penso que estamos ao nível da excelência”.

Jorge Rita recordou, porém, que “existe investimento que tem de ser feito rapidamente na região para se desenvolver o setor”, nomeadamente ao nível das infraestruturas, transportes e campanhas de ‘marketing’.

Por seu lado, a ministra da Agricultura não tem dúvidas de que Portugal tem capacidade para afirmar os seus produtos, porque “eles são bons e têm qualidade”.

A governante vincou que em 2014 Portugal exportou 330 milhões de euros de leite e laticínios, o que representa um aumento de 5% face ao ano anterior e, olhando apenas para o destino dessas exportações, 38% destinaram-se a países fora da União Europeia.

Perante os agricultores micaelenses Assunção Cristas disponibilizou-se para ajudar a abrir novos mercados para exportação de produtos agrícolas açorianos.

Depois de esta manhã ter visitado a Fábrica de Chá Gorreana e ter almoçado com agricultores, Assunção Cristas reservou a tarde para uma visita à fábrica de Unileite e uma reunião de trabalho com o secretário regional da Agricultura, Luís Neto Viveiros.

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