Açores têm três ilhas sem jornais impressos, último fechou em dezembro


 

Lusa/AO Online   Regional   11 de Jan de 2016, 07:23

Nos Açores, arquipélago com longa tradição ao nível da imprensa, há três das nove ilhas sem qualquer jornal impresso, tendo a último título encerrado em dezembro nas Flores por falta de publicidade.

 

“Nos Açores, desde a introdução da imprensa, que ocorreu durante as lutas liberais, houve de facto uma grande profusão de jornais, de variada tipologia, desde informativos aos satíricos, religiosos, culturais e políticos”, afirmou à Lusa a historiadora e docente na Universidade dos Açores Susana Serpa, acrescentando que apenas o Corvo, a mais pequena ilha da região, “nunca chegou a ter imprensa”.

Atualmente, Corvo, Flores e Graciosa, três das menos populosas e mais envelhecidas ilhas do arquipélago, não têm qualquer jornal impresso localmente, apesar das duas últimas terem no passado vários títulos ativos.

O último título a encerrar, em dezembro, foi o jornal mensal publicado na ilha das Flores O Monchique, após 215 edições ao longo de 18 anos, uma decisão que causou várias manifestações de pesar por se tratar do único jornal publicado nesta ilha do grupo ocidental do arquipélago.

“A imprensa na ilha tem 130 anos de história, com mais de 20 títulos publicados, dos quais apenas três, incluindo O Monchique, no concelho das Lajes das Flores”, disse José Corvelo, antigo diretor e proprietário deste jornal, um projeto familiar que “se tivesse empregados já tinha fechado há mais tempo” devido à falta de publicidade.

José Corvelo, bancário de profissão, explicou que o encerramento do jornal se deveu à falta de publicidade, mas também algum desinteresse dos assinantes e algum cansaço dos proprietários.

À Lusa, a historiadora Susana Serpa adiantou que alguns dos títulos já publicados nos Açores tiveram uma vida “muito efémera”, tendo sobrevivido durante algum tempo, essencialmente, devido “aos assinantes, à publicidade e à força de vontade dos seus proprietários e editores”, pois “os jornais acabavam por ser uma voz das localidades, das populações e das próprias periferias”.

“Ao longo do século XX houve uma redução gradual do número de jornais. Já com a Primeira República os jornais diminuíram consideravelmente. Houve um encarecimento no preço do papel, das tintas, as próprias guerras mundiais afetaram muito a imprensa e a sobrevivência dos jornais”, referiu Susana Serpa.

Para a historiadora, “curioso e notável” é que, apesar das novas tecnologias de informação e comunicação, da rádio e da televisão, os Açores mantêm o mais antigo jornal português em publicação e um dos mais antigos da Europa, o Açoriano Oriental, publicado na ilha de São Miguel desde 1835, uma “marca” da região que “importa salvaguardar e manter”.

O investigador Filipe Maciel acrescentou, no caso de São Jorge, que data de 1871 o primeiro jornal publicado na ilha, onde agora existe apenas O Breves, sediado nas Velas.

“Aqui existiram no passado outros títulos, mas, por falta de apoios ou interesse acabaram por encerrar”, declarou Filipe Maciel.

Nos últimos anos, o arquipélago perdeu outros títulos, destacando-se o jornal diário A União, publicado na ilha Terceira e propriedade da Diocese de Angra, com quase 120 anos de história.

 

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