Açores têm caminho muito longo para inclusão de alunos com necessidades especiais

Açores têm caminho muito longo para inclusão de alunos com necessidades especiais

 

LUSA/AO online   Regional   25 de Mai de 2016, 16:56

A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) alertou hoje que os Açores ainda têm "um caminho muito longo" a percorrer para a inclusão de alunos com necessidades educativas especiais

"Não basta passar pelo mesmo portão da escola. Isto é integração. Inclusão é outra coisa. E, portanto, nós consideramos que aqui na região autónoma ainda há um caminho muito longo a percorrer para essa inclusão”, afirmou a coordenadora nacional da Fenprof do grupo de trabalho da Educação Especial, Ana Simões.

A responsável falava em Ponta Delgada, na sede do Sindicato dos Professores da Região Açores, onde foi apresentado um estudo a nível nacional, mas que abrangeu as regiões autónomas dos Açores e Madeira, sobre a situação da educação especial relativamente às respostas aos alunos com necessidades educativas especiais.

O estudo levado a cabo pela Fenprof, através dos seus sindicatos, permitiu recolher nos Açores 26 questionários, o que significa 70% das unidades orgânicas (mais de 100 escolas) de todas as ilhas.

"O número de alunos nos Açores com necessidades educativas especiais é uma percentagem elevada comparando com a percentagem do continente e mesmo da Madeira. Ou seja, 10,7% do total de alunos tem necessidades educativas especiais, mas também temos consciência de que aqui a legislação é mais abrangente, ou seja, não restringe a questão do apoio na educação especial às deficiências e isto para nós é positivo", sustentou Ana Simões.

Segundo o estudo, existem nos Açores perto de 3.000 alunos com necessidades educativas especiais, notando-se “falta de espaços físicos para o apoio da educação especial e falta de assistentes operacionais".

Além disso, "há um número insuficiente de docentes especializados em 21 das escolas inquiridas" e deveriam ser colocados nas escolas terapeutas da fala, terapeutas ocupacionais, técnicos superiores de educação especial e reabilitação, psicomotricistas e assistentes sociais.

"O que nós temos aqui nas escolas na região é integração, em que os alunos estão na escola pública, o que é muito positivo, mas depois estão em turmas separadas dos colegas do regular e isto não é inclusão”, acrescentou.

O secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, afirmou que atualmente “o grande desafio que tem a escola pública" no país é o da inclusão, o que exige do Estado Português “um investimento muito forte” na educação para que estes alunos tenham respostas e apoios acrescidos.

O responsável recordou que atualmente a escola pública “recebe 87% dos alunos com necessidades educativas especiais”.

“Nós hoje temos um Governo que é diferente daquele que tivemos nos últimos quatro anos. Eu diria até um Governo diferente do que tivemos na última década, sobretudo porque assenta numa maioria diferente do parlamento. E, portanto, é natural e penso que há quem ainda não estivesse habituado neste país que hoje as políticas sejam diferentes", sustentou.


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