Açores subaproveitados para estudo mundial do clima

Açores subaproveitados para estudo mundial do clima

 

LUSA/AO Online   Regional   3 de Abr de 2015, 14:19

O investigador e professor universitário Eduardo Brito de Azevedo diz que os Açores têm estado subaproveitados ao nível do estudo mundial do clima, apesar das condições para se criar no arquipélago um "cluster das ciências atmosféricas".

“Na minha opinião, [os Açores] têm estado subaproveitados, como é óbvio. Mas têm recuperado nos últimos anos muita da sua vocação”, disse Eduardo Brito de Azevedo, à Lusa, acrescentando que “a ideia de um centro de estudos meteorológicos no atlântico” vem do século XIX. Brito de Azevedo é coordenador do projeto CLIMAAT, surgido em 2004 e que visa o desenvolvimento de metodologias específicas para o estudo da meteorologia e clima nas regiões insulares atlânticas (Açores, Madeira e Canárias), bem como a cooperação científica internacional. Para o docente na Universidade dos Açores, a tecnologia fez esquecer durante alguns anos a excelente posição dos Açores para os estudos do clima. No entanto, nos últimos anos, o panorama mudou, com o surgimento de novos projetos científicos, o que denota que se voltou a perceber a importância da região para o estudo mundial neste domínio. “De certa forma, está a ser recuperada essa vocação que o arquipélago tem e essas capacidades que tem no domínio das ciências atmosféricas e claro que não estão dissociadas das ciências do mar. Enfim, julgo que se criou ou está a criar, e já temos infraestruturas que provam isso, aquilo que hoje em dia se chama um ‘cluster’ de interesse no domínio das ciências atmosféricas”, referiu Brito de Azevedo. Segundo disse o investigador, na sequência do projeto CLIMAAT, surgiram outros nos Açores, como a estação internacional, com tecnologia de ponta, na ilha Graciosa, para estudar o processo de geração de nuvens, ou outro no cimo da montanha do Pico, ponto mais alto de Portugal, que mede a atmosfera a um nível diferente do que é medido ao nível do mar. “A estação [na Graciosa] do programa ARM, do departamento de energia do Estados Unidos, de certa forma, decorre desta atividade que o grupo do projeto CLIMAAT tem vindo a desenvolver há alguns anos e que, de certa forma, tem recuperado o que já se sabia de que os Açores são um sítio de excelência para o estudo da meteorologia e climatologia no atlântico”, afirmou Brito de Azevedo. O professor universitário explicou que os Açores são “excelentes” para os estudos do clima ao nível mundial porque estão afastados de dois grande continentes (americano e europeu), que limitam as margens do atlântico, o que permite estudar uma série de fenómenos relacionados com a interação com o oceano e a atmosfera de “uma forma mais limpa”. Além disso, o arquipélago situa-se numa zona de confrontação de massas de ar de origem polar e tropical muito ativa, acrescentou.


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