Açores afirmam-se como destino de natureza, mas trabalho na área continua sazonal

Açores afirmam-se como destino de natureza, mas trabalho na área continua sazonal

 

Lusa/AO Online   Regional   28 de Ago de 2015, 07:34

As empresas marítimo-turísticas nos Açores funcionam, essencialmente, durante os meses de verão e com recurso a trabalho sazonal, apesar de o arquipélago ser cada vez mais reconhecido internacionalmente como destino de natureza.

“Nós temos dois efetivos e sem ser do quadro costumamos ter umas dez pessoas. Em geral, contratamos é pessoas formadas ou que estão a formar-se”, afirmou Paulo Aguiar, gerente de uma empresa marítimo-turística que existe na ilha Terceira há dez anos em declarações à Agência Lusa, acrescentando que no inverno “há pouco serviço”.

Também o gerente de outra empresa de observação de cetáceos na ilha do Faial reconheceu que durante junho, julho e agosto costuma contratar trabalhadores precários, normalmente oito e quase todos licenciados em biologia e ambiente, com idades entre os 20 e os 35 anos.

“Nós só contratamos durante o verão, depois fechamos a porta. Em termos fiscais continuamos a ser altamente penalizados tendo uma atividade completamente sazonal. É uma perfeita sangria no inverno, porque não temos atividade nenhuma, não faturamos absolutamente nada”, afirmou Pedro Filipe, acrescentando que “com tantos impostos não é possível manter tantos postos de trabalho no inverno”.

Para este empresário, seria possível manter postos de trabalho durante o inverno “se a meteorologia permitisse e depois se houvesse uma diferenciação fiscal para as empresas que laboram com pouco 'staff' e muitas despesas, ao nível do combustível, seguros e licenças”.

Apesar da chegada, este ano, das companhias aéreas 'low cost' e do aumento do número de turistas na ilha de S. Miguel, o empresário Carlos Paulos, ligado ao mergulho, considerou que “para já” não se justifica ter mais pessoas efetivas, dado que os melhores meses para mergulhar nos Açores são apenas setembro e outubro.

Segundo disse Carlos Paulos, a sua empresa, sediada em Vila Franca do Campo, tem apenas uma pessoa efetiva e durante o pico do verão contrata mais cinco a seis, normalmente, finlandeses, noruegueses, alemães e espanhóis.

“Cá não se aposta verdadeiramente em formação que interesse para esse tipo de coisas, infelizmente. Há uma série de escolas profissionais, mas que não dão formação de jeito nessa área e a que dão é uma vergonha”, afirmou Carlos Paulos, que defendeu a “criação real de reservas livres de pesca” para que se possa desenvolver nos Açores o turismo de mergulho.

Também ao nível dos guias turísticos se verifica na região “alguma sazonalidade”, apesar de mais de 50 por cento dos membros da Associação de Guias Intérpretes da Região Açores (AGIRA), criada em 1980, viverem exclusivamente desta atividade profissional.

O vice-presidente da AGIRA, António Baltazar, adiantou à Lusa que nos Açores os guias com carteira profissional têm entre 20 e 70 anos, mas a atividade está transformada numa “bandalheira”, dado que “ninguém fiscaliza nada e qualquer pessoa que fale inglês pega num turista e anda”.

Responsabilizando diretamente o Governo Regional por esta realidade, António Baltazar referiu que a profissão de guia turístico “é pouco respeitada nos Açores”, apesar de competir a estes profissionais acolher quem vem de fora e mostrar o que de melhor têm as ilhas.


Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
 
Termos e Condições de Uso.