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20 anos de socialismo

João Bruto da Costa /

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Não foi com grande espanto que ouvi o presidente da Câmara de Santa Cruz da Graciosa a criticar o governo ou, por outra, a criticar as empresas públicas que operam os transportes e a mobilidade dos açorianos. E não me espantou porque ao fim e ao cabo não é senão mais uma atitude socialista típica, também, na Ilha Branca.

Como sempre, quando se trata de arrumar o que desarrumaram atiram as culpas para outros. A novidade aqui é que, desta vez, de entre as raras vezes que isso possa ter sucedido, conseguem já criticar aqueles que sempre foram, afinal, os melhores de sempre.

No entanto, não deixa de ser estranho não se aperceberem que se as coisas estão mal no ano de 2015, após 20 anos de governos socialistas, andaram todo o tempo a acompanhar e a influenciar para que se consagrasse um modelo criado precisamente pelos que agora se lançam em brados de “acudam-nos!”.

Não se pode deixar de concluir que são, sobretudo esses, os responsáveis pelos resultados que agora dificultam ainda mais o desenvolvimento das ilhas.

Não tendo eu ainda tido a oportunidade de assistir, apesar de tudo, a algum momento em que este esgotado modelo socialista implementado nos Açores, por alguns que até são “cristãos novos” do socialismo insular, tenha tido a frontalidade de assumir a responsabilidade de os Açores, ainda hoje, terem um sistema de transportes que faz os Graciosenses estarem mais longe de São Miguel do que um Micaelense está de Lisboa.

Fico, agora, convencido de que durante todos estes anos em que os socialistas se fartaram de dar pancada em todos aqueles que os criticavam, afinal de contas, também já nessa altura não tinham razão.

E perante a evidência de que apesar do mago financeiro, que aplica todas as poções económicas na região, continuar a dizer que estamos de vento em popa a combater o desemprego, assistimos a um constante apelo à criação de verdadeiro emprego como a maior necessidade regional.

Em ilhas sem economia não pode haver criação de emprego. E sem o afastamento das ideias de sempre defendidas por aqueles que vão impondo a sua vontade, há duas décadas, dificilmente podemos ambicionar verdadeira criação de emprego.

A consequência pode acabar por ser passarmos a “sazonais”, um pouco como quando vão pedindo às pessoas para que, de quatro em quatro anos, depositem nova confiança, porque os últimos 20 ainda não foram suficientes para cumprir com aquela velha promessa dos Açores se desenvolverem e deixarem para trás o estigma do isolamento e da dupla insularidade.

E então, de quando em vez, lá ocorre mais uma medida cheia de mais uns milhões querendo iludir este rumo desastroso a que nos conduzem.

O mal é geral, não há ilha sem titular socialista que nunca assumiu responsabilidade pelo fracasso do modelo que não trouxe o desenvolvimento aos Açores. Nem há titular socialista que não se queixe do vizinho, do chefe, do funcionário, da oposição, da bateria do telemóvel ou de qualquer outra razão que lhe venha à cabeça para justificar não fazer o que deve e quando faz o que quer não apresenta os resultados prometidos.

Certamente que todos conhecem um qualquer responsável político que lhes prometeu o paraíso e que contínua a prometer só que agora chama-se “Mais-Paraíso”. Uma nova marca para vender o mesmo esquema.

Também a pequena ilha Graciosa passou a ser “Mais-Graciosa” e depois “Ainda-Mais-Graciosa”, e tudo isso apenas vai escondendo o verdadeiro cisma social da emigração, da sazonalidade, e da desertificação que, essa sim, “Ainda-Mais-Se-Acentuou”!

* Deputado na ALRAA pelo PSD/A