Zonas húmidas podem ajudar a reduzir antibióticos presentes nas águas
5 de nov. de 2024, 11:07
— Lusa
Depois
de três anos de investigação, a equipa apresenta hoje os resultados e
as soluções baseadas na natureza que ajudam a reduzir os antibióticos,
agentes patogénicos e a resistência antimicrobiana nos ecossistemas
aquáticos. Em declarações agência à Lusa, a
investigadora Marisa Almeida, do centro da Universidade do Porto,
esclareceu que o projeto tinha como principal foco a “remoção de
antibióticos e, consequentemente, promoção da boa qualidade das águas”
através de soluções baseadas na natureza. O
projeto, intitulado NATURE e coordenado pelo Instituto de Avaliação
Ambiental e Investigação da Água, em Espanha, explorou uma série de
soluções baseadas na natureza “desde as fontes de poluição urbana até às
zonas estuarina e costeira”. Entre as
soluções estudadas, Marisa Almeida destacou as zonas húmidas
construídas, isto é, sistemas artificiais que permitem a passagem das
águas residuais através de um meio poroso, onde estão também plantadas
espécies verdes, que permitem a remoção de poluentes. Estes
sistemas podem servir de “complemento posteriori” às Estações de
Tratamento de Águas Residuais (ETAR), mas também serem uma opção a
implementar em zonas onde a densidade populacional é baixa e não existem
ETAR, salientou a investigadora. Marisa
Almeida destacou também a importância das zonas vegetadas existentes nas
margens de lagos, ribeiras ou estuários no processo de remoção de
antibióticos e outros poluentes dos ecossistemas marinhos. “A
ideia é mostrar que estas zonas vegetadas, que já existem, devem estar
saudáveis e ser promovidas para remover estes contaminantes”, observou. Apesar
de o foco dos investigadores ser os antibióticos, ao longo do projeto
foram quantificados outros contaminantes emergentes e agentes
patogénicos, como compostos de “detergentes, produtos de limpeza ou até a
cafeína”. “As concentrações são muito
baixas, portanto, não há uma toxicidade aguda. No entanto, há uma
contaminação crónica porque as concentrações são constantemente emitidas
e é isso que depois cria a resistência”, assinalou. Marisa
Almeida assegurou ainda que as soluções baseadas na natureza exploradas
pela equipa “tiveram bons resultados de remoção” e que acabaram por “ir
eliminando parte destes compostos”. A investigadora espera agora que algumas destas soluções, como as zonas húmidas, possam ser implementadas em Portugal. “Estas
zonas começaram há uns anos a ser construídas no país, mas não
vingaram, porque apesar de serem sistemas de engenharia precisam de
manutenção e não tiveram”, referiu, dizendo esperar que os resultados do
projeto impulsionem a sua construção e consequente manutenção no país.
As conclusões do projeto NATURE serão
hoje apresentadas no centro da Universidade do Porto, num evento que
decorre entre as 09:30 e 13:00.Financiado
pela ERA-NET Cofund Poluentes Aquáticos, o projeto contou com
investigadores de Espanha, Portugal, Dinamarca, Alemanha e Mali.