Zero pede à DGS sensibilização contra máscaras e luvas deixadas nas ruas
Covid-19
26 de mai. de 2020, 17:42
— Lusa/AO Online
“O que pedimos à
DGS é que aproveite os relatórios diários e as comunicações à população
[sobre a Covid-19 em Portugal] para sensibilizar as pessoas. Neste
momento, e infelizmente porque na base está uma pandemia, a DGS tem mais
tempo de antena. O que pedimos é que aproveitem esse tempo de antena
para, a par obviamente de todos os dados importantes que transmite,
fazer este apelo”, disse à agência Lusa Rui Berkemeier, da Zero.A
associação já escreveu à DGS a propósito da gestão de resíduos urbanos,
tendo na carta datada de março e dirigida à diretora-geral da Saúde,
Graça Freitas, pedido para que esta sensibilize os cidadãos “no sentido
de não colocarem as luvas descartadas nos ecopontos, mas sim nos
contentores destinados aos resíduos indiferenciados”, um apelo que agora
reitera.“Não recebemos resposta, mas não
significa que não tenha sido feita essa comunicação. (…) De qualquer
forma é cada vez mais importante que a mensagem passe. É um problema
agora e nas praias já se nota [aumento de descartáveis]”, acrescentou
Rui Berkemeier.Já na carta que é assinada
pelo presidente da Zero, Francisco Ferreira, lê-se que esta associação
“tem recebido relatos de situações em que junto dos materiais recolhidos
no ecoponto amarelo [destinado a plástico, metal e embalagens de cartão
para alimentos líquidos] estão a aparecer luvas de plástico utilizadas
pelos cidadãos para se protegerem desta pandemia, o que provoca algum
alarme nos trabalhadores afetos às estações de triagem”.“A
Zero vem, assim, sugerir a V.Ex.ª [referindo-se a Graça Freitas] que
aproveite as oportunidades que a DGS e o Ministério da Saúde têm para
fazer comunicações ao país para sensibilizar os cidadãos no sentido de
não colocarem as luvas descartadas nos ecopontos, mas sim nos
contentores destinados aos resíduos indiferenciados”, refere o
documento.Hoje, Rui Berkemeier somou às
preocupações “os relatos que a Zero tem recebido e mesmo constatado”,
disse, de “aumento de descartáveis na via pública”, nomeadamente
máscaras e luvas usadas como forma de proteção para evitar o contágio do
novo coronavírus.“As pessoas se calhar
depois das compras ou de situações onde não têm logo um contentor onde
colocar o resíduo, acabam por o largar na via pública. É preocupante
porque causa insalubridade ambiental e porque pode ser um risco para
outras pessoas”, referiu o especialista em resíduos.Para
a Zero, “a sensibilização é muito importante” e o papel da DGS pode ser
“fundamental” face a uma situação “com consequências também
psicológicas”.“É certo que [as máscaras e
luvas encontradas na rua] não são considerados à partida um resíduo
perigoso porque não são as máscaras usadas em contexto hospitalar, são
as comunitárias e usadas em contexto social, mas até do ponto de vista
psicológico é fundamental que não vão parar à via pública”, defendeu Rui
Berkemeier.O ambientalista sublinhou,
ainda, apelos para que estes resíduos descartáveis vão para o contentor
dos resíduos indiferenciados e não para o ecoponto porque “não são
resíduos que neste momento possam ser reciclados”, reconhecendo que o
país vive uma “situação critica” em matéria de meios para limpeza
urbana.“Em primeiro lugar os cidadãos
devem ser conscientes. Esse é o ponto de partida. Mas também se nota uma
maior necessidade de limpeza pública e apelamos às entidades que
disponibilizem meios para fazerem a recolha. É uma situação critica
porque as entidades públicas estão com menos meios por causa da
pandemia. Há aqui uma equação difícil de resolver. O ponto de partida é o
bom senso da população”, referiu.Questionado
sobre se já são conhecidos valores sobre o aumento de descartáveis e
resíduos deixados na rua, Rui Berkemeier disse que ainda não é possível
fazer um balanço, mas apontou que se nota uma “transferência de
resíduos” em alguns casos “brutal”.“Tudo o
que era gerado na restauração desapareceu e passou a surgir nos
resíduos domésticos. Exemplo típico são os óleos alimentares, os óleos
de fritar, que houve uma redução brutal dos óleos vindos dos
restaurantes e passou a haver produção doméstica, numa área onde a
recolha está muito fraquinha ainda”, concluiu.