Zero diz que Portugal está excessivamente exposto à volatilidade dos mercados de petróleo
8 de mar. de 2026, 16:58
— Lusa
“Esta dependência tem efeitos diretos na inflação, no custo de vida e na competitividade da economia”, alertou a associação, em comunicado, contextualizando a posição com a subida dos preços dos combustíveis devido ao conflito no Médio Oriente, agravado com a guerra no Irão.Para a Zero – Associação Sistema Terrestre Sustentável, o país deve "ultrapassar atrasos nas infraestruturas de transporte público e carregamento de veículos”.A associação propõe também a consignação progressiva do Imposto sobre os Produtos Petrolíferos (ISP) para apoio a uma mobilidade “mais sustentável”.De acordo com a organização, em 2023, o setor dos transportes representava cerca de 34% das emissões nacionais de gases com efeito de estufa e continua a depender “quase totalmente” de combustíveis fósseis importados.“Portugal importa todo o petróleo que consome, sendo o gasóleo o principal combustível utilizado no transporte rodoviário de mercadorias e passageiros. Sempre que o preço internacional do petróleo sobe, os impactos propagam-se rapidamente por toda a economia, aumentando os custos de transporte de bens e serviços e pressionando a inflação”, lê-se no comunicado.Para a Zero, a melhor solução para fazer face a estas situações não é uma redução temporária de impostos, mas “a redução estrutural da dependência do petróleo”, através da eletrificação de veículos, principalmente os de uso intensivo, e do reforço do transporte público.“É inadmissível não existirem planos sérios de melhoria da oferta em linhas da CP e da Fertagus nas Áreas Metropolitanas", criticou, defendendo igualmente medidas para eletrificar veículos ligeiros e pesados de mercadorias, táxis, TVDE, frotas de uso empresarial e bicicletas de uso partilhado.Na análise da Zero, a atual crise geopolítica demonstra que a transição energética não é apenas uma questão ambiental, mas também económica e social."A resposta às crises energéticas recorrentes deve ser clara: menos petróleo, mais eletrificação e mais transporte público", sustentou a associação.