Zero considera haver medidas a "marcar passo" e desvalorização do fogo posto
Incêndios
1 de jul. de 2024, 10:33
— Lusa/AO Online
No
dia que marca o início da fase mais crítica de incêndios (‘nível
Delta’), que se estende até 30 de setembro, a Zero faz uma avaliação ao
relatório anual de atividades do Sistema de Gestão Integrada de Fogos
Rurais (SGIFR), relativo ao último ano, que contabilizou menos 2.866
fogos e menos 75.588 hectares (ha) ardidos do que em 2022.Em
2023, foram registados 7.523 fogos face aos 10.389 de 2022 e aos 8.223
de 2021, e uma menor área ardida - totalizando 34.509 ha, sendo que no
ano de 2022 chegou-se aos 110.097 ha, por contraste com o ano de 2021 em
que a área ardida só foi de 28.415 há.“Estes
números muito positivos podem transmitir-nos uma falsa sensação de que
está a acontecer uma modificação dos comportamentos face ao fogo e que a
desejável mudança estrutural nas políticas públicas com impacto nos
territórios está a ocorrer com a celeridade necessária”, observou a Zero
em comunicado.Para a associação
ambientalista, ainda existem “muitas medidas” importantes que estão a
“marcar passo”, alertando que “os fogos rurais são um problema social
que continua longe de estar resolvido”. “Parece
continuar a existir uma certa desvalorização do papel do incendiarismo
na perpetuação do flagelo dos fogos, apesar de este constituir um crime
previsto no código pena (…), o qual prevê penas de prisão até oito anos,
que se forem de especial gravidade poderão chegar aos 12 anos”,
realçou, indicando que nos últimos três anos o fogo posto representou
19% dos incêndios contabilizados.Face aos
casos de fogo posto, a Zero referiu que não se compreende “a gritante
falta de empenho na monitorização e no acompanhamento da reincidência,
assim como ao nível da reinserção dos incendiários no pós cumprimento de
penas”.O organismo acrescentou que não se
percebe também “o desprezo que se verifica pela necessidade urgente de
criação de um programa para apoio e acompanhamento pela prática de fogo
posto no âmbito da saúde mental, associado ou não a comportamentos
aditivos e dependências”.No comunicado
divulgado, a Zero lamentou ainda a tolerância de comportamentos
negligentes que têm impacto na área ardida, como o lançamento de
foguetes (58 ocorrências e 31 ha ardidos), a realização de fogueiras
(201 ocorrências no período de 2021-2023), a queima de lixo (334
ignições e 238 ha queimados), fumar na proximidade de espaços
suscetíveis de arderem (702 ocorrências e 602 ha ardidos) ou a queima de
sobrantes agrícolas e florestais (3051 ocorrências e 7.457 ha).“Importa
não esquecer que a negligência, também ela um crime, continua a ser
muitíssimo tolerada entre nós, como se comportamentos imprudentes (…)
fossem normais num contexto em que já foram gastos milhões de euros na
sensibilização dos cidadãos para que sejam mais responsáveis”,
sublinhou.Observando o abrandamento do
ritmo da implementação do Plano Nacional de Ação e do SGIFR, a
associação considerou que “não será possível atingir as metas previstas
para 2030” e que as dificuldades financeiras, no âmbito do Programa de
Financiamento Multifundos, “são incompreensíveis”.“No
que concerne à remuneração dos serviços de ecossistemas, o relatório
continua a não nos dar notícias positivas, sendo que não é possível
aferir a área abrangida por este mecanismo e também não é possível obter
informação sobre a percentagem de proprietários que prestam serviços
dos ecossistemas e que são remunerados por isso”, concluiu.Os
meios de combate voltarão a ser reforçados a 01 de julho até 30 de
setembro, estando este ano em prontidão 14.155 operacionais de 3.162
equipas e 3.173 viaturas, um ligeiro aumento em relação a 2023.No entanto, a época considerada mais crítica em incêndios rurais vai contar este ano com 70 meios aéreos.