Zelensky pede participação do mundo democrático na reconstrução do país
Ucrânia
4 de jul. de 2022, 16:38
— Lusa/AO Online
“A
reconstrução da Ucrânia é a tarefa comum de todo o mundo democrático”,
afirmou Zelensky ao dirigir-se por videoconferência aos participantes na
conferência de Lugano, citado pela agência francesa AFP.Zelensky
considerou que a participação no plano de reconstrução constituirá a
“contribuição mais importante para a paz mundial” e ficará assinalada no
território ucraniano.“Entre outras
coisas, irá criar milhões de novas ligações no mundo democrático, na
Europa, entre os nossos países. Cada cidade, cada comunidade, cada
indústria que vai ser reconstruída terá provas históricas de quem ajudou
nisto”, disse Zelensky, segundo a agência ucraniana Ukrinform.O
líder ucraniano agradeceu à Dinamarca, que se ofereceu para reconstruir
Mykolaiv (sudeste), e ao Reino Unido, pelo interesse manifestado na
reconstrução da região de Kiev, a capital da Ucrânia.“Convido também todos os países do mundo civilizado e empresas ambiciosas a juntarem-se aos nossos esforços”, apelou.Zelensky
também agradeceu à Comissão Europeia a criação de uma plataforma
especial para a reconstrução da Ucrânia e defendeu que as necessidades e
os sentimentos dos ucranianos devem estar em primeiro lugar.O
projeto, referiu, deve ter como princípios-chave a segurança, a
eficiência tecnológica, o cumprimento de normas ambientais, a utilização
de tecnologias verdes, o enfoque nos interesses das comunidades e a
transparência no planeamento e utilização dos fundos. Zelensky
defendeu o “máximo enraizamento” do projeto de reconstrução na vida
económica real da Ucrânia para que os resultados sejam duradouros.Acrescentou que o plano visa igualmente o “desenvolvimento institucional” do país.O
primeiro-ministro ucraniano, Denys Schmygal, que se deslocou a Lugano,
sugeriu que os bens russos congelados devem ser usados para cobrir parte
dos 750.000 milhões de dólares (mais de 718.800 milhões de euros) que
poderão ser gastos no plano de reconstrução.“Quem
deveria pagar o plano de reconstrução, que já está estimado em 750 mil
milhões de dólares?”, questionou Chmygal, citado pela AFP.O
próprio chefe do Governo respondeu que esse financiamento deve incluir
os ativos russos congelados no âmbito das sanções impostas à Rússia por
ter invadido a Ucrânia.As estimativas do
montante de ativos russos em causa variam entre 300.000 milhões e
500.000 milhões de dólares (entre cerda de 287.500 milhões e mais de
479.000 milhões de euros), de acordo com Chmygal.A
presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, considerou que a
reconstrução da Ucrânia deve resultar num país melhor do que aquele que
existia antes da guerra lançada pela Rússia em 24 de fevereiro.“Sabemos
que a sua luta [dos ucranianos] é também a nossa luta e é por isso que
estamos a ajudar a Ucrânia a vencer esta guerra. Temos também de
garantir que a Ucrânia ganhará a paz”, disse Von der Leyen, citada pela
AFP.Participam na conferência de dois dias
representantes de cerca de quatro dezenas de países, de instituições
internacionais e do setor privado.A delegação da Ucrânia inclui o presidente do parlamento, Ruslan Stefanchuk.Portugal está representado pelo ministro da Educação, João Costa.Em
maio, quando visitou Kiev, o primeiro-ministro português, António
Costa, manifestou a Zelensky a disponibilidade de Portugal para
participar num programa de reconstrução de escolas e
jardins-de-infância.Em alternativa,
Portugal poderá patrocinar a reconstrução de uma zona territorial a
indicar pelas autoridades ucranianas, disse Costa na altura.A
conferência deverá ser marcada por uma declaração comum que deve
estabelecer as “prioridades, método e princípios” deste projeto de
recuperação.