Zelensky diz que fim da guerra depende do Ocidente e da vontade da Rússia para negociar
Ucrânia
25 de mai. de 2022, 16:13
— Lusa/AO Online
"Sobre
quando esta guerra pode terminar, penso que depende de algumas coisas,
de coisas concretas", disse Zelensky, citado por agências ucranianas,
durante a sua participação virtual num "pequeno-almoço ucraniano" no
Fórum Económico Mundial em Davos. Depende "antes de mais", disse,
da "vontade de diferentes partes; da vontade de um Ocidente unido em
termos de armamento e solidez financeira da Ucrânia e da vontade de um
Ocidente unido de não ter medo de lutar contra a Rússia, de lutar esta
guerra híbrida de formas diferentes, não com o seu próprio povo, acima
de tudo". "E também depende da vontade da Rússia, porque esta guerra vai acabar de qualquer maneira", sublinhou. Acrescentou
que existe a parte "militar" da guerra, com muitas mortes entre civis
inocentes e soldados, e depois, mostrou-se convicto de que "em qualquer
caso, haverá um processo de paz e haverá uma mesa de negociações, e
haverá definitivamente paz". A questão é com quem, com que
Presidente russo a Ucrânia irá negociar, algo que também depende do
atual chefe do Kremlin, Vladimir Putin, acrescentou. Quanto à
possibilidade de negociar com Putin, Zelensky disse que o Presidente
russo "não se apercebe totalmente do que se passa" e "vive no seu mundo
da informação e não compreende que a Ucrânia não tem intenção de ir a
lado nenhum e não fará concessões". O líder ucraniano disse estar
convencido de que só faz sentido negociar com Putin e não com
intermediários, porque "eles não são 'ninguém'", acrescentando que
quando o presidente russo regressar ao mundo real compreenderá que
muitas pessoas e muitos inocentes estão a morrer. "Se ele for
capaz de compreender alguma coisa, então com certeza compreenderá que
temos de falar e acabar com esta guerra, iniciada por eles, pela Rússia e
por mais ninguém. E então, talvez seja possível tentar, se não for
demasiado tarde, seguir o caminho diplomático", disse ele. Reiterou
que é possível passar da fase da "guerra sangrenta" para o "formato das
negociações diplomáticas" com a participação dos presidentes da Rússia e
da Ucrânia e dos parceiros estratégicos. Para tal, a Rússia
deveria pelo menos dar "o passo certo" de retirar tropas para as linhas
de demarcação pré-24 de fevereiro, dia do início da invasão russa, disse
-- algo que já foi recusado pelo Kremlin. No entanto, disse que não via qualquer interesse do lado russo.