Zelensky avisa que plano de segurança de Trump para a Europa pode ser "perigoso"
Hoje 13:00
— Lusa
Numa entrevista à CNN, Zelensky criticou a intenção de discutir uma nova arquitetura de segurança europeia com a Rússia, considerando “perigoso” avançar nesse sentido quando Moscovo não demonstra vontade de encontrar uma solução para a guerra na Ucrânia.Esta abordagem “é mais perigosa para a União Europeia (UE) do que para nós”, uma vez que a Ucrânia não pertence ao bloco comunitário nem à NATO, assinalou ainda Zelensky, ressalvando, contudo, que também representa uma ameaça para o seu país, porque “vivemos todos na Europa”.“Não queremos uma segunda Yalta”, afirmou, numa referência à Conferência de Yalta, realizada em 1945, na qual os dirigentes das três grandes potências da época - o líder soviético Josef Estaline, o presidente norte-americano Franklin D. Roosevelt e o primeiro-ministro britânico Winston Churchill - negociaram a configuração da Europa no pós-guerra.“Não estamos preparados para um formato desses. Não queremos ser divididos pela Rússia. E, naturalmente, a soberania e a integridade territorial são questões fundamentais para qualquer país independente. Se queremos ser um país livre e democrático, precisamos, no mínimo, que os nossos vizinhos respeitem a nossa soberania e integridade territorial”, sublinhou.Depois de o presidente norte-americano, Donald Trump, ter anunciado um “grande e belo acordo” sobre a Ucrânia, que poderá envolver também “toda a Europa”, o seu genro e enviado para as negociações entre Kiev e Moscovo, Jared Kushner, explicou, na rede social X, que está em curso “um importante debate com vários líderes europeus sobre a necessidade de estabelecer uma arquitetura de segurança europeia mais ampla, que contribua para criar as condições necessárias para uma paz duradoura”.Jared Kushner explicou que os Estados Unidos estão a estudar cinco objetivos para um eventual novo pacto de segurança entre a Europa e a Rússia: consultas permanentes em matéria de segurança, canais de comunicação fiáveis em situações de crise, maior transparência militar, medidas recíprocas para reduzir os riscos de escalada e um quadro duradouro para a segurança e a estabilidade da Europa a longo prazo.Os Estados Unidos pretendem que “qualquer acordo respeite plenamente a soberania, a integridade territorial e a capacidade de decisão independente de cada nação, de modo que cada país mantenha a autoridade sobre a sua própria segurança e as suas alianças, sem que nenhum Estado tenha direito de veto sobre as decisões soberanas de outro”.Neste contexto, a NATO continuará a ser um pilar central da defesa coletiva europeia, e a iniciativa norte-americana “assentará nas instituições e nos compromissos existentes”, explicou Kushner.A proposta retoma compromissos anteriormente assumidos pela União Soviética e, posteriormente, pela Rússia, através de documentos como a Ata Final de Helsínquia, de 1975, a Carta de Paris para uma Nova Europa, o Tratado sobre as Forças Armadas Convencionais na Europa e o Documento de Viena de 1990 sobre medidas de confiança e segurança.