XV legislatura começa esta terça-feira com eleição do novo presidente da AR e acolhimento dos deputados
29 de mar. de 2022, 08:17
— Lusa/AO Online
A XV Legislatura vai começar
quase dois meses depois das legislativas de 30 de janeiro, que o PS
venceu com maioria absoluta. O processo foi mais demorado devido à
repetição de eleições no círculo da Europa, determinada pelo Tribunal
Constitucional por terem sido misturados votos válidos com votos nulos
em 151 mesas de voto.A primeira reunião
plenária da XV legislatura - com oito partidos representados, menos dois
do que na anterior - divide-se em duas partes, uma de manhã e outra à
tarde. Na primeira parte, às 9h00, com os
230 novos parlamentares eleitos em 30 de janeiro, será aprovada a
comissão eventual de verificação de poderes dos deputados eleitos, numa
reunião que costuma demorar poucos minutos.Como,
a essa hora, não haverá ainda presidente da AR eleito e o presidente
cessante, Eduardo Ferro Rodrigues, não é deputado, caberá ao partido
mais votado, o PS, convidar um dos vice-presidentes cessantes que tenha
sido reeleito (ou o deputado mais antigo) a dirigir interinamente os
trabalhos.Esse convidará dois deputados das bancadas maiores, PS e PSD, para secretários da mesa. Após a aprovação da resolução que aprova a comissão eventual de verificação de poderes, os trabalhos são interrompidos. Às 14h00, é lido e votado o relatório que discrimina os deputados que pediram substituição, a começar pelos membros do Governo.Segue-se
a eleição do presidente da Assembleia da República, por voto secreto,
pelos deputados que serão chamados, por ordem alfabética, a votar numa
urna no centro da sala de sessões. Concluída a votação, a sessão é novamente suspensa para apuramento dos resultados.De
acordo com o Regimento, é eleito Presidente da Assembleia da República
“o candidato que obtiver a maioria absoluta dos votos dos deputados em
efetividade de funções”, sendo que neste caso Augusto Santos Silva
deverá ser candidato único.O novo presidente da Assembleia da República usará da palavra, seguindo-se intervenções dos grupos parlamentares.A
conferência de líderes decidiu que a eleição da restante Mesa da
Assembleia da República - que, além do presidente, integra quatro
vice-presidentes, quatro secretários e quatro vice-secretários - e do
Conselho de Administração será feita apenas numa outra sessão plenária
na quarta-feira.Em paralelo, decorre a
partir das 09:00 - e durante uma semana - o acolhimento dos deputados no
Salão Nobre da Assembleia da República, em que os parlamentares têm de
cumprir uma série de formalidades, como identificar-se, receber um
‘login’ e palavra-chave para entrar no sistema da Assembleia, tirar a
fotografia que irá figurar no ‘site’ do parlamento ou preencher o
registo de interesses.Nesta legislatura,
não há partidos ‘estreantes’, mas desaparecem duas forças políticas do
parlamento: o CDS-PP, que tinha presença desde 1976, e o Partido
Ecologista “Os Verdes” que, apesar de nunca ter ido a votos sozinho,
tinha assento graças à coligação com o PCP.Em
relação a 2019, o PS cresce de 108 para 120 deputados, o PSD baixa de
79 para 77, o Chega torna-se a terceira força política, passando de um
para 12 deputados, e a IL a quarta, subindo de um parlamentar para oito.O
PCP perdeu metade dos deputados, passando de 12 para seis, o BE
reduz-se a praticamente um quarto da bancada de 2019 - de 19 para cinco
parlamentares - e o PAN de quatro eleitos para um. O Livre mantém um
assento parlamentar, apesar de em grande parte da legislatura a sua
deputada eleita (Joacine Katar Moreira) ter estado na qualidade de não
inscrita.