XV Governo Regional da Madeira tomou posse na Assembleia Legislativa
6 de jun. de 2024, 15:56
— Lusa/AO Online
“Este não é o momento para
avaliar a bondade da decisão do senhor Presidente da República [Marcelo
Rebelo de Sousa] de chamar, de novo, o nosso povo a votos, mas a verdade
é que o resultado não foi clarificador, antes pelo contrário, veio
introduzir mais perturbação no funcionamento do nosso sistema político”,
declarou José Manuel Rodrigues (CDS-PP).Discursando
na tomada de posse do executivo madeirense, presidido por Miguel
Albuquerque, o presidente do principal órgão de governo da região
apontou que “foram meses de campanha em campanha, de eleição em eleição,
que aumentaram a crispação e a turbulência na sociedade madeirense”.“É
por isso que a nossa primeira tarefa, na qual o Governo tem um papel
decisivo, é normalizar a vida pública, retomar o normal funcionamento
das instituições e contribuir para a pacificação entre todos os agentes
políticos da nossa comunidade”, afirmou.José
Manuel Rodrigues salientou que se inicia hoje a legislatura “mais
desafiante e mais exigente da história da democracia e da autonomia da
Madeira”, argumentando que, “pela primeira vez em quase cinco décadas,
toma posse um Governo Regional minoritário, cuja governação depende do
diálogo e da negociação que forem mantidas entre si e as outras forças
políticas representadas no parlamento”.“Começa
hoje um novo ciclo político na Madeira que a todos convoca para novas
posturas, novos comportamentos e, sobretudo, nos obriga a uma grande
humildade democrática”, alertou. O
presidente da Assembleia Legislativa da Madeira, reeleito hoje apenas à
terceira votação, defendeu que um governo estável é necessário para a
confiança nas instituições e o consequente investimento, que gera
emprego e riqueza, apontando que “quem não perceber esta realidade, ou a
ignorar, incorre num perigoso erro que os madeirenses não perdoarão”.“Os
madeirenses desejam ardentemente e têm direito a um Governo na
plenitude de funções que consiga, em negociação com todos os partidos, a
aprovação de um orçamento que retire a administração pública da
paralisia em que ficou mergulhada, que permita relançar o investimento e
as obras públicas, que maximize o aproveitamento dos fundos europeus,
que reduza os impostos e que crie as condições de confiança para a
retoma do investimento privado”, reforçou.José
Manuel Rodrigues alertou ainda para a necessidade de aumentar salários,
reduzir impostos, fazer “uma melhor distribuição da riqueza, que
corrija as desigualdades e injustiças socais”, assim como responder ao
problema da habitação.O presidente da
Assembleia Legislativa Regional defendeu também “uma nova fase no
relacionamento com a República para resolver questões como a da revisão
da Lei de Finanças das Regiões, a criação de um sistema fiscal próprio, a
questão da operacionalidade do aeroporto, o problema do subsídio de
mobilidade no transporte aéreo, a revisão da Lei do Mar, o cumprimento
do princípio da continuidade territorial e uma melhor e mais justa
cobertura dos custos de insularidade”.Mas,
avisou: “A sintonia político-ideológica entre quem governa o continente
e quem governa os Açores e a Madeira pode ajudar à resolução de muitos
assuntos pendentes entre o Estado e os nossos arquipélagos, mas
enganam-se aqueles que pensam que isso será um obstáculo a que
defendamos, acerrimamente, aqueles que são os direitos dos povos
insulares, ou que alguma vez deixaremos cair a bandeira da autonomia e a
nossa pretensão de ter mais poderes e competências numa revisão da
Constituição”.O PSD venceu as regionais
antecipadas, a 26 de maio, com a eleição de 19 deputados, ficando a
cinco mandatos de conseguir a maioria absoluta. O PS elegeu 11
deputados, o JPP nove, o Chega quatro e o CDS-PP dois, enquanto a IL e o
PAN elegeram um deputado cada. O PSD firmou um acordo parlamentar com os centristas após as eleições, ficando ainda assim aquém da maioria absoluta.As
eleições antecipadas na Madeira ocorreram oito meses após as anteriores
legislativas regionais, depois de o Presidente da República ter
dissolvido o parlamento madeirense, na sequência da crise política
desencadeada em janeiro, quando o líder do Governo Regional
(PSD/CDS-PP), Miguel Albuquerque, foi constituído arguido num processo
que investiga suspeitas de corrupção no arquipélago.