Xi quer trabalhar com a líder da oposição de Taiwan para “procurar a paz no estreito”

Hoje 12:23 — Lusa/AO Online

"A grande tendência do rejuvenescimento da nação chinesa não mudará, nem mudará a corrente histórica que leva os compatriotas de ambas as margens do estreito a aproximarem-se e a unirem-se cada vez mais", afirmou o chefe de Estado durante um encontro, em Pequim, com Cheng Li-wun, presidente do KMT (Partido Nacionalista), principal força da oposição em Taiwan.Nas suas palavras iniciais, transmitidas em direto pelo canal televisivo CTi News, Xi referiu que, apesar das "vicissitudes da história", os cidadãos de Taiwan "nunca esqueceram que as suas raízes estão no continente"."Mesmo nos anos dolorosos em que Taiwan esteve ocupada, os compatriotas taiwaneses mantiveram uma forte consciência nacional chinesa e um enraizamento firme na cultura chinesa, chegando a sacrificar sangue e vida para demonstrar que são membros inseparáveis da grande família da nação chinesa", afirmou.O líder chinês sublinhou que o mundo atual "não é um lugar tranquilo" e que a paz é "extremamente valiosa", acrescentando que, por muitas mudanças que ocorram no Estreito de Taiwan, "a direção geral do progresso humano não mudará", numa aparente referência à "reunificação" entre a ilha e o continente perseguida por Pequim."Os compatriotas de ambas as margens do estreito são chineses; uma mesma família deseja paz, desenvolvimento, intercâmbio e cooperação. Este é o desejo comum", afirmou.Este encontro com Cheng, o primeiro entre as lideranças máximas do Partido Comunista Chinês (PCC) e do Kuomintang em quase uma década, visa "salvaguardar a paz e a estabilidade", "impulsionar o desenvolvimento pacífico das relações através do estreito" e permitir que as gerações futuras "partilhem um futuro promissor", disse Xi."Estamos dispostos, com base política comum de manter o 'Consenso de 1992' e de nos opormos à 'independência' de Taiwan, a reforçar os intercâmbios e o diálogo com todos os partidos, grupos e setores sociais de Taiwan, incluindo o Kuomintang, para procurar a paz no estreito, o bem-estar dos compatriotas e o rejuvenescimento da nação", vincou.O encontro decorre num momento particularmente sensível, a poucas semanas da reunião prevista em Pequim entre Xi e o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e após anos de crescente pressão militar da China sobre Taiwan, uma ilha governada de forma autónoma desde 1949 e considerada por Pequim como parte do seu território.