Xi Jinping parte para a Rússia para participar na cimeira dos BRICS
22 de out. de 2024, 12:31
— Lusa/AO Online
A comitiva de Xi
inclui Cai Qi, membro do Comité Central do Partido Comunista da China, e
o ministro dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, segundo a agência
noticiosa oficial Xinhua.A cimeira do
grupo - composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, além
de Egito, Irão, Emirados Árabes Unidos e Etiópia - reúne entre hoje e
quinta-feira 24 chefes de Estado e de Governo considerados mais próximos
da Rússia e da China, na sequência do alargamento que o bloco aprovou
na reunião de líderes do ano passado.Segundo
o Kremlin, Putin, o anfitrião, vai reunir-se com Xi à margem da
cimeira, embora Pequim ainda não tenha confirmado este encontro ou
outros entre Xi e os líderes dos países presentes.A
China chega à cimeira numa altura em que tenta seduzir o Sul Global
como uma das prioridades da sua política externa, com novas vias de
financiamento e cooperação, num contexto de crescente competição
geopolítica com o Ocidente, especialmente com os Estados Unidos.A
Xinhua afirmou na segunda-feira que o grupo é “um mecanismo
internacional florescente” que procura “responder aos problemas
globais”, sendo Xi “um dos seus fortes defensores”.Entre
as contribuições chinesas está o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB),
com sede em Xangai, que aprovou 105 projetos nos países membros, no
valor de cerca de 35 mil milhões de dólares (mais de 32 mil milhões de
euros) até ao final de 2023.Xi também
defendeu a inclusão formal de intercâmbios culturais na cooperação entre
os BRICS, até agora orientada por intercâmbios económicos, políticos e
de segurança.Os BRICS são para a China
mais uma oportunidade de promover uma reforma do sistema de governação
global mais consentânea com os seus interesses e com aquilo a que chama
“verdadeiro multilateralismo”, por oposição ao “hegemonismo dos EUA”,
bem como de mostrar o seu “empenho” em desempenhar um papel mais
importante num momento geopolítico convulsivo, com as guerras na Ucrânia
e no Médio Oriente como pano de fundo, além das tensões na península
coreana e no estreito de Taiwan.Até ao ano
passado, o bloco era constituído pelo Brasil, Rússia, Índia, China e
África do Sul, que acolheu a 15.ª cimeira dos líderes do grupo em
Joanesburgo, em agosto de 2023, onde foi aprovada a entrada de seis
novos países: Egito, Irão, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Argentina
(que acabou por decidir não aderir) e Arábia Saudita.Durante
a reunião deste ano, os líderes dos países membros devem definir os
critérios para que outras nações entrem no bloco como associadas.