Xi diz que relações entre China e Austrália devem ser geridas com grande cuidado
19 de nov. de 2024, 18:00
— Lusa/AO Online
“As
nossas relações deram uma reviravolta e continuam a crescer, trazendo
benefícios tangíveis para os nossos dois povos. Este é o resultado do
nosso trabalho coletivo na mesma direção e deve ser gerido com o maior
cuidado”, disse Xi, no Rio de Janeiro, numa reunião com o
primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, à margem da cimeira do
G20.“Esta trajetória é inspiradora em
muitos aspetos”, observou Xi, admitindo que, na última década, desde que
Pequim e Camberra assinaram um acordo global de comércio livre em 2014,
as duas nações assistiram a progressos, mas também a recuos nas
relações bilaterais.Embora Austrália e
China tenham dado passos no sentido de estreitar as suas relações, os
comentários de Xi surgem num período de preocupação internacional com os
planos do Presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor
taxas alfandegárias de 60% sobre as importações chinesas e de 20% sobre
as de outros países.Albanese, que
agradeceu a Xi a oportunidade de se encontrar pela terceira vez durante o
seu mandato, destacou os “novos e encorajadores progressos” na
estabilização das relações através do diálogo, do ritmo das visitas
bilaterais e das trocas comerciais, segundo a transcrição distribuída
pelo seu gabinete.“Continuamos a explorar
oportunidades de cooperação prática em áreas de interesse comum,
incluindo a nossa transição energética e as alterações climáticas”,
disse Albanese, afirmando que a região do Indo-Pacífico “beneficiará da
prosperidade que pode advir da paz, segurança e estabilidade”.As
relações entre a China e a Austrália, duas nações com modelos e visões
geopolíticas diferentes, deterioraram-se entre 2017 e 2022, ano em que
Albanese assumiu as rédeas do executivo em Camberra, o que trouxe uma
normalização das relações diplomáticas e comerciais.Desde
então, a China, o maior parceiro comercial da Austrália, tem vindo a
levantar progressivamente as taxas alfandegárias punitivas e as
restrições comerciais impostas desde 2020 sobre uma série de produtos
australianos, como o carvão, o vinho e, mais recentemente, a lagosta.O
comércio bilateral com a China aumentou 9,3% em 2023, totalizando 327,2
mil milhões de dólares australianos (200,9 mil milhões de euros), de
acordo com dados do Departamento de Negócios Estrangeiros e Comércio da
Austrália.