Xi destaca papel de Jiang Zemin na abertura da China no centenário de seu nascimento
Hoje 12:30
— Lusa/AO Online
Xi
apresentou Jiang como um dirigente de "elevado prestígio", e "núcleo" da
terceira geração de líderes do Partido Comunista da China (PCC) e
principal impulsionador da teoria da "Tripla Representatividade", uma
diretriz ideológica incorporada em 2002 nos estatutos do partido e que
serviu para que capitalistas e empresários privados entrassem para o
PCC, rompendo com a linha estritamente operária e camponesa do maoismo.A
cerimónia realizou-se no Grande Palácio do Povo, junto à Praça
Tiananmen, com um grande retrato de Jiang ladeado por bandeiras
vermelhas e as datas "1926-2026", sob uma tarja que comemorava o
centenário do seu nascimento.Jiang,
nascido a 17 de agosto de 1926 em Yangzhou, na província oriental de
Jiangsu, aderiu ao PCC em 1946 e desenvolveu parte da sua carreira em
Xangai, cidade da qual foi presidente do município e chefe local do
partido antes de ser elevado à secretaria-geral após a repressão na
Praça Tiananmen, em 1989.No seu discurso,
Xi aludiu a essa etapa como um momento de "graves distúrbios políticos",
em linha com a formulação oficial chinesa, e defendeu que Jiang manteve
a estabilidade de Xangai durante essas mobilizações e, já em Pequim,
conduziu o partido durante um período de mudanças internacionais.O
atual mandatário destacou que, sob o mandato de Jiang, se "consolidou o
objetivo de construir uma economia socialista de mercado",
impulsionou-se a abertura ao exterior, se concretizou a adesão da China à
Organização Mundial do Comércio (OMC) e se concluíram as devoluções de
Hong Kong e Macau à soberania do gigante asiático.Xi
ressaltou também o papel de Jiang na resposta chinesa à crise
financeira asiática do final dos anos 90 e às inundações de 1998.Jiang
dirigiu a China entre o final dos anos oitenta — assumindo a
secretaria-geral do PCC em 1989 e a presidência do país em 1993 — e o
início da década de 2000, um período marcado por fortes taxas de
crescimento, pela integração do país na economia mundial e pela
consolidação da China pós-Tiananmen.Contudo,
esses anos caracterizaram-se também pelo aumento das desigualdades,
pela corrupção e pela repressão contra movimentos como o Falun Gong, um
grupo espiritual proibido na China desde 1999.A
comemoração de Jiang realizou-se poucos dias após a morte recente, aos
97 anos, do ex-primeiro-ministro Zhu Rongji, com quem Jiang formou nos
anos 90 a dupla 'presidente-primeiro-ministro' que pilotou a etapa
decisiva da abertura económica chinesa.Os
restos mortais do falecido líder chinês Zhu Rongji serão cremados na
terça-feira, em Pequim, com bandeiras nacionais colocadas a meia-haste
na terça-feira na Praça Tiananmen, no Grande Palácio do Povo, no
Ministério dos Negócios Estrangeiros, nas sedes dos comités provinciais
do PCC e dos governos provinciais, nas Regiões Administrativas Especiais
de Hong Kong e de Macau, em postos de fronteira, portos marítimos,
aeroportos, bem como em embaixadas e consulados chineses.