Washington continua aberto para negociar com Pyongyang apesar de novas “provocações”
27 de abr. de 2022, 11:57
— Lusa/AO Online
“Continuamos
abertos à diplomacia e ao diálogo com a Coreia do Norte” para encerrar o
seu programa nuclear, disse à imprensa o porta-voz do Departamento de
Estado norte-americano, Ned Price.De
acordo com Ned Price, os Estados Unidos, no entanto, têm “a obrigação de
responder às recentes provocações” da República Popular Democrática da
Coreia e, em particular, aos dois novos lançamentos de mísseis
balísticos.O anúncio de Kim Jong-un
confirma que “a Coreia do Norte representa uma ameaça à paz e segurança
internacionais e ao protocolo de não proliferação” de armas nucleares,
acrescentou.O líder norte-coreano anunciou
planos para "fortalecer e expandir" o armamento nuclear do seu país,
durante um desfile militar em Pyongyang, informaram hoje os ‘media’
estatais.Apesar das severas sanções
internacionais, a Coreia do Norte está a intensificar os esforços para
modernizar o exército e desde o início deste ano que tem testado armas
proibidas por tratados internacionais.Vestido
com um uniforme militar branco, o líder norte-coreano participou num
desfile de tanques, lançadores de foguetes e mísseis balísticos
intercontinentais (ICBMs), na segunda-feira, em Pyongyang.O desfile foi realizado no âmbito das comemorações do 90º aniversário do Exército Revolucionário do Povo Coreano."Continuaremos
a tomar medidas para fortalecer e desenvolver as capacidades nucleares
da nossa nação, em ritmo acelerado", disse Kim Jong-un, cujos
comentários foram divulgados pela agência de notícias norte-coreana
KCNA.As várias conversas diplomáticas
destinadas a convencer o líder a desistir dos testes balísticos estão
paralisadas desde 2019, após uma reunião entre Kim Jong-un e o então
Presidente dos EUA, Donald Trump.Na
segunda-feira, o líder norte-coreano avisou que poderá utilizar o seu
arsenal nuclear se os "interesses fundamentais" da Coreia do Norte forem
ameaçados, acrescentando que os mísseis que estão a ser testados têm
uma função dissuasora. Imagens de satélite
mostraram sinais de atividade num túnel no local de Punggye-ri, que a
Coreia do Norte diz ter sido demolido em 2018 antes da primeira cimeira
entre Donald Trump e Kim Jong-un.Os
comentários feitos esta semana pelo líder norte-coreano sobre armas
nucleares têm em vista o novo Presidente eleito da Coreia do Sul, o
conservador Yoon Suk-yeol, que assume o cargo em 10 de maio, de acordo
com vários analistas.Cheong Seong-chang,
investigador sénior do Instituto Sejong, considera que Kim pode ter
enviado uma mensagem codificada quando vestiu o seu uniforme branco com a
estrela de marechal - a mais alta patente militar da Coreia."Simboliza
a sua posição forte em relação ao futuro Governo de Yoon Suk-yeol, que
identificou o Norte como o seu inimigo e disse que está a admitir
desenvolver a capacidade de lançar ataques preventivos", explicou o
académico.A Coreia do Norte anunciou em 25
de março que lançara no dia anterior, pela primeira vez, um "míssil
gigante", publicando fotos e vídeos em que Kim Jong-un aparece a
supervisionar o teste, de forma muito estudada.